O romantismo socialista
Propõe suas premissas

O bon ouvrier
A colheita de batatas
O pastoreio de porcos

Ressabiada
A poesia declina qualquer parceria

Em Estação Paraíso, belo volume editado pela Expressão Popular, Alípio Freire recolhe seus poemas, criados ao longo de muitos anos. Caso raro no país, trata-se de poesia que privilegia a política. Poemas escritos em memória de um passado militante, celebram a saga da resistência à ditadura e os que nela tombaram. Predominam amplos vôos líricos, numa dicção a muitos graus de elaboração, que se quer chã e despretensiosa. Trazem um diálogo aberto com nossa tradição poética, a todo momento irrompendo interpretações a outras vates, que vieram antes e que marcaram este. Como ele mesmo bem sabe, formular seu credo:”Com a memória em 64/ os pés em 22/ a cabeça em 68/ e o coração sem tempo”.

Na arte deste combatente sem esmorecimento, não há desencanto, só esperança e propósito de prosseguir na luta, arrostando perdas, ostentando cicatrizes. Seus temas, apesar de tudo, não roubam o brilho ao raio de sol desferido pelo humor, que ilumina com certa frequência o panorama do livro, como no poema que estampamos na quarta capa.