Hora de comer – comer!
Hora de dormir – dormir!
Hora de vadiar – vadiar!
Hora de trabalhar?
– Pernas pro ar que ninguém é de ferro!
Ascenso Ferreira (1895-1965), destacado representante do Modernismo pernambucano, integrou as vanguardas intelectuais do Recife, participando do grupo de Joaquim Inojosa e da Revista do Norte. Colaboraria ainda com outras influentes publicações dos novos, a mineira Verde, de Cataguases, e a Revista de Antropofagia, de Oswald de Andrade.
Exuberante e jovial, angariou vasto círculo de amigos. A corpulência e a estatura atraíram o apelido de “Ascensão”, com que o brindou o camarada de jornadas literárias Luís da Câmara Cascudo. Mário de Andrade, de passagem, entrou para o círculo e em nova viagem hospedou-se em sua casa.
Em 1927 publicou Catimbó, com ilustrações do confrade e futuro poeta Joaquim Cardozo; em 1939 saiu Cana Caiana. Seus versos tendem ao típico rural, remetendo à infância e às lembranças do passado, em ritmos vívidos e variadamente combinados, aproximando-se às vezes do poema-piada, caro a seus companheiros de geração. Posteriormente, o volume Poemas 1922/1951 reuniria esses dois livros e o novo Xenhenhém, com prefácio de Manuel Bandeira, o qual viria a organizar uma antologia da obra. Gostava de declamar suas criações, emprestando-lhes toda a verve da expressão corporal: o prefaciador registrou que assistir a um tal desempenho era uma experiência poética sem par. Estampamos, na quarta capa, um de seus mais renomados poemas.
