“Arguto, sutil Antonio.
a captar nos livros
a inteligência e o sentimento das aventuras do espírito,
ao mesmo tempo em que, no dia brasileiro, desdenha provar os frutos da árvore da opressão,
e, fugindo ao séquito dos poderosos do mundo, acusa a transfiguração do homem em servil objeto do homem.”

Neste número, Carlos Drummond de Andrade entra com uma apreciável contribuição, cujo histórico se expõe a seguir.

Por três vezes Antonio Candido recebeu a homenagem de um festschrift. O primeiro, aos 60 anos, Esboço de Figura, foi iniciativa e teve a organização de Celso Lafer. O segundo, Dentro do Texto Dentro da Vida, resultou de um seminário capitaneado pela Unesp/ Marília, assinalando seus 70 anos. O terceiro, Antonio Candido – Pensamento e Militância, deveu-se a um congresso convocado conjuntamente pela Fundação Perseu Abramo e pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas/USP, na passagem dos 80 anos.

O diálogo poético entre poeta e crítico travara-se décadas antes, quando o inquérito “Plataforma de uma geração”, dirigido a intelectuais, suscitou uma resposta de Antonio Candido, que por sua vez foi desenvolvida no poema “O Medo”, integrado ao livro A Rosa do Povo, de 1945. Esse poema é dedicado “A Antonio Candido”.

Mais tarde, Drummond escreveu outro, e com outro alcance: este consta do primeiro dos volumes supracitados, e tem o mesmo título. O trecho reproduzido na quarta capa pertence a Esboço de Figura, um perfil em versos de nosso homenageado, traçado por um poeta maior.