O futuro é uma boca

e doze maxilares

mastigando o tempo

enquanto cães

amestrados pelo homem

no pátio de prisões

mastigam o sexo do homem

não é para castrar

os lobos não têm dentes

é para fazer o homem gozar

de medo

Isto são palavras? São pedras?

Isto é um muro?

Francisco Alvim, mineiro de Araxá, nasceu em 1938. Cresceu entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Publicou seu primeiro livro, Sol dos cegos em 1968. Viveu em Paris entre 1969 e 1971. De volta ao Brasil, publicou Passatempo em 1974. Segundo Roberto Schwarz, na apresentação que fez às suas Poesias Reunidas (1968-88), publicadas pela Livraria Duas Cidades, “do ponto de vista da composição, o elemento-base não são palavras nem versos, mas falas, as mais simples e naturais, em cuja coleta ou confecção o autor acerta infalivelmente na mosca.”