No lombo de pedra da cachoeira clara
as águas se ensaboam
antes de saltar.
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Este ano assinala o jubileu de dois livros de João Guimarães Rosa (1908-1967), Grande sertão: veredas, seu único romance, e Corpo de baile, ambos publicados em 1956. O grande prosador está sendo amplamente celebrado pelo país afora, devido ao meio século que completam simultaneamente.
João Guimarães Rosa, rapsodo do sertão, ocupa lugar privilegiado na literatura brasileira. Seu território de eleição, o interior de Minas Gerais, é o cenário onde decorre toda a obra. Este escritor destaca-se pela combinação muito particular que engendrou entre a fala sertaneja e sua erudição de poliglota, recuperando arcaísmos e regionalismos, cunhando neologismos e adaptando estrangeirismos. Outro ponto alto que o distingue é a capacidade quase ilimitada de fabulação, que lhe permite arquitetar uma multiplicidade de enredos.
As narrativas de Guimarães Rosa, extraordinário criador de incontáveis entrechos cheios de peripécias, tratam das sagas do sertão, das vidas que levam os homens e mulheres que ali existem.
Embora menos conhecido pela obra poética, o escritor não se furtou a dedilhar a lira. Seu único livro de poesia, Magma, foi apresentado ao concurso da Academia Brasileira de Letras, em 1936. Apesar de ter tirado o primeiro lugar, deixou o livro na gaveta, mostrando-se mais uma vez bom juiz do que escrevia. E encontraria sua verdadeira vocação na prosa. Magma só viria à luz em 1997, seis décadas depois. É desse livro o excerto que publicamos.
