“Boa noite, Isabel,
vagam verdes as duas luas dos teus olhos
nesse verde luar ao lírio do teu rosto
e aos botões de rosa das rosas
de teus seios,
sobre os bosques e os mares de Diônisos.”

Gerardo Mello Mourão. A língua portuguesa perdeu, há dois meses, o grande poeta cearense nascido a 8 de janeiro de 1917. Uma espécie de Homero que brotou do barro ressequido do sertão.

Escreveu como se moldasse com as próprias mãos uma misteriosa ponte entre a rude narrativa do linguajar sertanejo e as alturas da invenção do espírito humano, dos gregos. Com sólidas pilastras plantadas na Península Ibérica. Ezra Pound escreveu um dia sobre ele: “Em toda a minha obra, o que tentei foi escrever a epopéia da América. Creio que não consegui. Quem conseguiu foi o poeta de O País dos Mourões”.

Outros livros: Rastro de Apolo, O Valete de Espadas, Cabo das Tormentas e a trilogia Os Peãs.