As comemorações dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras ocupou Salvador (BA) no dia 5 de fevereiro. Com petistas de várias regiões do país, a tarde de hoje reuniu também especialistas e dirigentes para debater assuntos urgentes para 2026: paz, soberania e integração foram os ingredientes mais importantes da receita que foi debatida na mesa coordenada por Mônica Valente, diretora da Fundação Perseu Abramo e do secretariado do Foro de São Paulo.

Mônica acredita que são “temas centrais para a democracia, a soberania, cultura e desenvolvimento”. E que os debates programados para os próximos dias foram pensados “para estimular a participação do público, trocar ideias e promover e construção coletiva de caminhos”.

A mesa que se debruçou sobre os temas internacionais, a soberania das nações e as articulações da região contou com participação do secretário nacional de Relações Internacionais do partido, senador Humberto Costa (PT-PE), Pedro Silva Barros, pesquisador do Ipea desde 2009, membro do conselho curador da FPA, e professor titular de integração regional do Instituto Rio Branco, e Monica Bruckmann, socióloga, diretora de relações internacionais da UFRJ e coordenadora do grupo de estudo em geopolítica da universidade.

O senador Humberto Costa, além de festejar os 46 anos do PT, ainda explicou a parceria entre a SNRI e a FPA que acompanha a experiência acumulada “para procuramos avançar na nossa política internacional e do PT, nosso relacionamento com partidos progressistas. Debater a conjuntura internacional e problematizar o momento importante que estamos vivendo agora. Criar grupos para discutir as várias regiões do mundo. Trata-se de um esforço para atualizar nossa posição e a política internacional de nosso partido. O PT é uma referência importante para a esquerda mundial, assim como o governo Lula. O PT é referência para quem luta pela democracia e igualdade no mundo”.

Ele também fez uma análise abrangente sobre a situação do mundo, as dificuldades e as tensões provocadas por uma extrema direita que se organiza mundialmente: “somos filhos das lutas democráticas na América Latina, defendemos a solidariedade internacional entre os povos. O Brasil sempre buscou solidariedade e integração regional entre as forças progressistas do mundo. Nossa visão que o desenvolvimento do país não pode estar dissociado da política internacional, com posturas abertas e avançadas como as que temos”.

A professora Monica Bruckman abordou os desafios do Brasil e da América Latina no contexto atual do mundo. “É uma grande alegria compartilhar a mesa com os convidados”, e já aproveitou para comentar o discurso de Lula realizado na semana passada no Panamá, quando comentou vários aspectos a partir da defesa da nossa região e da nossa região como uma região de paz. “O presidente Lula recolocou uma agenda integracionista a partir de uma perspectiva econômica e de empoderamento da região para as negociações que estão por vir”.

Monica também apresentou dados sobre a região desde a pandemia e a perda de liderança de algumas regiões do mundo, “Precisamos de análise apurada não só sobre política mundial mas sobre a materialidade da vida econômica”. O uso da guerra pelos Estados Unidos, mudanças nas cadeias produtivas e do comércio mundial, portos, o debate sobre terras raras e a questão ambiental fizeram parte da apresentação.

A professora foi além do tema, “a relação deve ser estratégica com os chineses, não podemos fazer acordos que deixem de lado os interesses do Brasil. Precisamos repensar a relação com a China e Ásia de um modo geral. A perspectiva é de interesse público nacional e criar mecanismos multi modal”, explicou.

Pedro Barros foi direto ao ponto: “a integração é necessária para a paz e soberania do Brasil”. Ele defendeu que é necessário reforçar o papel do Brasil para estabilidade do mundo, solidariedade e desenvolvimento, relembrando os valores da Constituição de 1988, “que é uma das mais avançadas do mundo. Temos que derrotar quem ataca nossa soberania e pede intervenção estrangeira”. Para Pedro Barro, Trump recuou na questão tarifária, mas “ele usará toda sua força para derrotar as forças progressistas. Vimos os ataques à América Latina e ao Brasil, porque é um recado para todos os presidentes e povos do continente. Recado de uma potência em declínio, que tem uma política introspectiva e para a América Latina e Caribe, ela é muito agressiva. Nos trata como quintal e colônia. Precisamos nos preparar para defender nossa Constituição. O Brasil busca fortalecer a comunidade da região e defender nossos países”.

Barros ainda mostrou que as ações de Trump reverberam de forma muito agressiva na nossa região. “E isso é reafirmado a cada documento estratégico dos Estados Unidos, que não querem os países soberanos. Vamos precisar defender a soberania e nossa capacidade de diálogo e união. Lula é um dos pouquíssimos que tem diálogo com todos no mundo. Não queremos que o Brasil fique isolado nestes debates. Vamos reafirmar a importância do multilateralismo. E a direita vai nos atacar por esses valores que devemos seguir defendendo. Em um cenário de países muito divididos, precisamos de coesão interna. Já fomos muito criativos, quando criamos os Brics, por exemplo. Hoje o desafio é mais complexo. Mas a liderança de Lula irá garantir previsibilidade. As decisões precisam ser tomadas soberanamente por cada nação e povo e construir uma agenda que também deve ser renovada, inclusive a partir dos debates promovidos pela FPA nos temas internacionais”.

Para avançar a discussão tributária no Brasil, é preciso que o debate sobre taxar os super ricos esteja ampliado pelas demais nações, assim como o combate à fome ou o uso de terras raras.

A seguir, a íntegra do debate que teve transmissão ao vivo pelo Youtube da Fundação Perseu Abramo e do PT: