São Paulo teve papel fundamental na vitória nacional de Lula em 2026. Mesmo derrotado no estado, o presidente registrou o maior crescimento absoluto de votos entre os dois turnos, superou sua votação de 2022 e reduziu a diferença para o adversário.
Lula obteve 12.119.274 votos em São Paulo (46,15% dos válidos), contra 53,85% de Flávio Bolsonaro. Em relação ao primeiro turno, quando recebeu 9.505.413 votos, foram 2.613.861 votos adicionais, um crescimento de 27,5% em números absolutos e de 7,95 pontos percentuais na participação dos votos válidos.
O estado respondeu sozinho por 25,2% de todo o acréscimo líquido de votos de Lula no país entre os turnos. São Paulo também registrou o segundo maior avanço em pontos percentuais, atrás apenas de Goiás, segundo levantamento da BBC Brasil.
Na comparação com 2022, Lula conquistou 599.392 votos a mais, crescimento de 5,2% em números absolutos. Sua participação nos votos válidos passou de 44,76% para 46,15%.
A vantagem do adversário também diminuiu. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula em São Paulo por 2.696.705 votos. Em 2026, a diferença favorável a Flávio Bolsonaro foi de 2.019.904 votos, uma redução de 676.801 votos, ou aproximadamente 25%.
O desempenho paulista ganha dimensão diante do resultado nacional. Lula venceu com aproximadamente 64,3 milhões de votos, uma vantagem de 4,43 milhões sobre Flávio Bolsonaro. São Paulo respondeu por quase 19% de sua votação no país, com um acréscimo entre os turnos mais de duas vezes superior ao registrado em Minas Gerais.
Os números mostram que a contribuição de São Paulo para a vitória de Lula foi muito além do resultado estadual. Mesmo sem conquistar a maioria dos votos paulistas, o presidente ampliou sua base eleitoral, reduziu a desvantagem para o adversário e obteve no maior colégio eleitoral do país um quarto de todo o crescimento nacional de sua votação entre os turnos.
Lula perdeu em São Paulo, mas o desempenho paulista foi uma peça fundamental de sua vitória no Brasil.
Laio Correia Morais é advogado formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e atuou como chefe de gabinete de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.
