A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu felicitações de governos de diferentes orientações políticas, com mensagens que defenderam a continuidade da cooperação com o Brasil. Na América Latina, o reconhecimento incluiu presidentes de direita, como José Antonio Kast, do Chile, Santiago Peña, do Paraguai, Keiko Fujimori, do Peru, e Daniel Noboa, do Equador.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula conquistou seu quarto mandato com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de mais de 4,4 milhões de votos.

Nesta segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a eleição brasileira “pareceu ter sido fraudada”, sem apresentar provas. A declaração ocorreu depois de Flávio se recusar a reconhecer a derrota e anunciar que pedirá a anulação do pleito.

Cooperação regional reúne diferentes campos políticos

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, associou o resultado à participação popular. “Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil”, escreveu no X. O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, informou ter telefonado a Lula para cumprimentá-lo pela vitória.

Kast, aliado da família Bolsonaro, também conversou com o presidente brasileiro e defendeu o fortalecimento das relações entre os dois países, com foco na integração econômica e no combate ao crime organizado. Peña destacou a agenda de integração e desenvolvimento entre Paraguai e Brasil, enquanto Fujimori mencionou a cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada pelos dois países.

Noboa ressaltou os interesses comuns da região: “Nossa região tem inimigos comuns, desafios compartilhados e muito a ganhar quando trabalhamos juntos”. Na Bolívia, Rodrigo Paz manifestou disposição para dar continuidade à parceria bilateral. O presidente argentino, Javier Milei, não havia parabenizado Lula publicamente até a tarde desta segunda-feira.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin, saudou o aumento da participação no segundo turno e o compromisso dos eleitores com a democracia e a convivência pacífica. Informou também que o relatório preliminar da missão de observação apresentará oportunidades de aperfeiçoamento do processo eleitoral brasileiro.

Europa, China e Rússia defendem continuidade das relações

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, parabenizou Lula e afirmou que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”. O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu o aprofundamento da parceria estratégica entre França e Brasil. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez relacionou o resultado brasileiro às perspectivas das forças progressistas em seu país.

A China, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, felicitou Lula e manifestou disposição para ampliar a cooperação com o Brasil. O presidente russo, Vladimir Putin, também enviou uma mensagem de congratulações e defendeu a continuidade do trabalho conjunto nas relações bilaterais.

No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney propôs fortalecer a parceria com o Brasil em comércio e proteção ambiental. Nos Estados Unidos, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, parabenizou Lula e destacou a mobilização popular durante a campanha.

PT discute mobilização em defesa do resultado

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, criticou as declarações de Trump em entrevista ao programa Tarde BandNews. “A fala do Trump não ajuda para a estabilidade democrática do Brasil nem da América do Sul”, afirmou.

Edinho anunciou uma reunião da Executiva Nacional para quinta-feira (29), com representantes de movimentos sociais e sindicais, para discutir a defesa do resultado eleitoral. Disse que o partido poderá convocar manifestações caso considere necessário.

“Se precisar, nós vamos pôr o povo brasileiro nas ruas para defender o resultado das eleições, que foram legítimas, que o TSE reconheceu, o TSE legitimou”, declarou.

Flávio sustenta sua contestação na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação por duas horas diante de problemas de transporte. A campanha do próprio senador também havia solicitado mais tempo para votar em regiões afetadas pelas chuvas no Sul.

Ao comentar a recusa de Flávio em reconhecer a derrota, Edinho mencionou os ataques de 8 de janeiro de 2023 e o histórico de contestação eleitoral da família Bolsonaro. O dirigente também afirmou que a participação da juventude nas manifestações do segundo turno deve ser considerada pelo próximo governo, especialmente nas demandas por mudanças e maior participação popular.