Negros e negras representam 70% de quem vive com até um salário mínimo — R$ 1,1 mil — no Brasil. É o que mostra levantamento elaborado pelo IDados

 

Um estudo revela que mais da metade dos brasileiros vive com somente um salário mínimo e que essa parcela significativa da população é negra. De 30,2 milhões de pessoas no Brasil, pelo menos 20 milhões são de trabalhadores negros ou negras que recebem até R$ 1.100.

O levantamento do IDados, realizado com base em informações do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), afirma que atualmente há 46 milhões de pessoas negras ocupadas no mercado de trabalho.

Representantes de mais de 54% da população no Brasil, os negros e negras que recebem um salário mínimo também não conseguiram estudar. A pesquisa aponta que 69,2% não tiveram acesso à escolaridade.

Para o secretário Nacional de Combate ao Racismo do Partido dos Trabalhadores (PT), Martvs Chagas, o levantamento só reforça o racismo estrutural do país.

“O levantamento demonstra mais uma vez o que nós, militantes do movimento negro e dos partidos progressistas, temos repetido desde o começo da pandemia: que a população mais prejudicada é a população negra”, adverte.

“A questão se torna ainda mais nítida sobre o caráter racista do problema econômico, quando se percebe que, mesmo com escolaridade superior – que é minoria —, a população negra ainda é a que tem a menor remuneração. Não podemos aceitar o retrocesso que esse desgoverno trouxe para o país, mas principalmente para o povo pobre e preto”, ressalta Martvs Chagas.

Outro dado da pesquisa aponta que, entre as pessoas negras com ensino superior completo, 13,4% recebem um salário mínimo. Em 2012, esse percentual era de 8,9%. Isso significa que mesmo os que se graduaram continuam a receber salários baixíssimos.

O levantamento foi elaborado a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do segundo trimestre de 2021.

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