Bombardeios em Caracas, alegação de sequestro do presidente venezuelano e condenação do Brasil expõem riscos diplomáticos e precedentes graves para a América Latina.

Imagens do ataque deste sábado (3) dos EUA à Venezuela – Foto: Jesus Vargas/Getty Images

O governo da Venezuela declarou estado de emergência na manhã deste sábado (3) após denunciar uma agressão militar dos Estados Unidos ao território do país. O ataque contou com bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.

Em comunicado oficial, Caracas afirmou que a ofensiva incluiu ataques a áreas civis e militares e denunciou o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa.

Em comunicado oficial, o presidente Trump declaro que “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, escreveu Trump. Segundo ele, a operação foi conduzida por forças de segurança americanas, e uma coletiva de imprensa foi anunciada para este sábado, às 13h (horário de Brasília). Trump não informou o destino do presidente venezuelano.

A declaração, feita sem apresentação de provas, foi recebida por governos da região como mais um sinal do traço autoritário e totalitarista do presidente norte-americano e mais um arroubo ditatorial dos Estados Unidos na América Latina, reacendendo temores sobre intervenções unilaterais, ruptura de normas internacionais e escalada de conflitos.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou não saber onde o presidente está e exigiu prova de vida por parte do governo norte-americano. Por volta de 13h30, o presidente Donald Trump publicou fotografia do presidente venezuelano preso:

Foto mostra presidente venezuelano a bordo do USS Iwo Jima, navio da Marinha dos Estados Unidos enquanto Casa Branca atrasa coletiva sobre ataque e captura 
Foto: Reprodução Donald Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou duramente a ação e afirmou que o ataque norte-americano ultrapassa uma linha inaceitável nas relações internacionais. Para Lula, trata-se de uma violação flagrante do direito internacional que abre precedentes perigosos, compromete o multilateralismo e eleva os riscos diplomáticos e políticos na América Latina e no cenário global.

“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece”, afirmou Lula.

O presidente brasileiro também declarou que a ação remete aos piores momentos da intervenção dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, ameaçando a preservação da região como zona de paz. Diante da escalada, o governo brasileiro convocou uma reunião de emergência para discutir medidas políticas e diplomáticas.

Escalada autoritária de Trump

Horas depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças norte-americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e que Nicolás Maduro teria sido capturado e retirado do país, junto com a esposa, Cilia Flores. A declaração foi publicada na rede Truth Social.

Durante a madrugada, moradores de Caracas relataram explosões sucessivas, tremores, sobrevoo de aeronaves em baixa altitude e interrupções no fornecimento de energia elétrica, sobretudo nas proximidades da base aérea de La Carlota. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram colunas de fumaça em instalações militares e correria em bairros da capital.

Em resposta, o governo venezuelano anunciou a ativação de planos de mobilização nacional e decretou estado de comoção exterior em todo o território.

Caracas acusou os Estados Unidos de buscar o controle de recursos estratégicos, como petróleo e minerais, e classificou a operação como uma tentativa explícita de mudança de regime, com potencial de desestabilizar toda a região.

Nota da Fundação Perseu Abramo

A diretoria da Fundação Perseu Abramo manifestou “seu mais profundo repúdio à agressão militar praticada, na manhã de 3 de janeiro de 2026, pelo governo dos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela”, destacando que a ofensiva foi acompanhada “do sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa”.

Segundo a nota, “a agressão militar e o sequestro confirmam que o governo Trump decidiu atravessar todas as linhas vermelhas”, afrontando a legislação internacional e a própria legislação dos Estados Unidos. O texto afirma que a ação tem como objetivo “controlar as riquezas da nossa região, a começar pelo petróleo da Venezuela”, materializando o “corolário Trump” da Doutrina Monroe, conforme exposto na Estratégia de Segurança Nacional de novembro de 2025.

A Fundação ressalta que “a ação imperialista dos Estados Unidos não se volta apenas contra um governo ou um país”, mas constitui “uma agressão a toda a América Latina e ao Caribe, uma ameaça à paz regional”, agravando um cenário mundial já marcado por tensão e instabilidade.

Por fim, a diretoria afirma somar-se aos que exigem “a interrupção imediata das agressões, a libertação de Nicolás Maduro e de sua esposa e a retomada do diálogo diplomático com respeito à legislação internacional”, expressando total solidariedade à República Bolivariana da Venezuela.

*Com informações de agências internacionais e do G1