Produtora promove redução das desigualdades e a qualificação social por meio da cultura hip-hop
A Produtora Quinto Elemento nasceu de uma ação territorial coletiva na região metropolitana de Porto Alegre (RS), em 2018, a partir de um grupo de artistas e agentes culturais que se uniram para transformar o seu próprio território. Liderada e protagonizada por quem vive e constrói o hip-hop, a organização é a prova de que “Cultura é construção coletiva”.
Com mais de sete anos de atuação, evoluiu de um movimento de práticas urbanas para uma estrutura de produção autogerida, cujo objetivo central é promover a redução das desigualdades e a qualificação social por meio da cultura hip-hop. A sua trajetória reflete o amadurecimento de uma ação comunitária que, hoje, não apenas realiza projetos, mas fomenta a autonomia de toda uma rede de artistas locais.
Ao capacitar outros artistas e coletivos na escrita de projetos e gestão, a organização replica sua tecnologia social e fortalece o ecossistema cultural de dentro para fora. Este trabalho de formação, validado por iniciativas como a “Oficina de Produção Cultural” (com 78 alunos certificados) e por projetos de resgate da memória do Hip Hop aprovados em editais, é a prova de sua capacidade de autogestão e transformação.
Um de seus fundadores, o rapper e escritor Mano Cascata, explica que o coletivo veio com o propósito de formação porque, no movimento hip hop, sempre se discutiu a existência do quinto elemento.
“Temos esse entendimento de que existe. O primeiro elemento é o grafite, o segundo o DJ e MC, o terceiro o b-boy, o quarto o grafiteiro e o quinto elemento é o conhecimento. É entender o que está acontecendo dentro da comunidade. O movimento surge numa área de conflito onde as pessoas começaram a trocar ideias sobre o motivo de estarem se matando. Por isso, quando eu falo que a transformação vem de dentro, é porque os atores principais são da periferia, não tem como fazer uma mudança se ela não passar por nós”, afirma.
Mano Cascata também foi um dos fundadores do grupo de rap Preconceito Zero, o embrião do conceito que entende a periferia como potência transformadora dentro dos territórios. “Esse projeto surge para que a gente consiga fazer essa transformação. Temos várias frentes, que chamamos de aquilombamento de projetos, onde criamos para as instituições das áreas cultural, de economia solidária, formação, pesquisa. Não entendíamos como escrever projetos, participar, então antes a gente não acessava. A organização atua como facilitadora”, explica.
