A edição março-abril da revista Reconexão Periferias coloca em foco temas essenciais para a agenda dos movimentos sociais periféricos: direitos indígenas, reforma agrária e proteção da biodiversidade.

O artigo Acampamento Marielle Vive enfrenta especulação e constrói alternativa popular na Região Metropolitana de Campinas, de Tassiana Moreira, Fernanda Issa Bottini e Yuri Santos Ferreira, analisa a experiência de um acampamento organizado pelo MST, em Valinhos (SP), como resposta à especulação imobiliária e exemplo de organização popular e agroecológica. O texto é resultado da parceria do INCT Participa com o projeto Reconexão Periferias.

Outro tema abordado na revista é a participação indígena nas instituições políticas brasileiras, abordado pelas autoras Ana Vaze Carla Guareschi.O artigo analisa o crescimento da presença indígena na política institucional brasileira e aponta o “aldeamento da política” como estratégia de enfrentamento à lógica excludente do Estado.

Na reportagem Julgamento da pejotização no STF pode ampliar rombo e pressionar Previdência especialistas em relações do trabalho e no sistema judiciário avaliam que a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre pejotização e vínculo de trabalho, em julgamentos previstos para este ano, pode ampliar perdas bilionárias, fragilizar a Previdência e intensificar disputas entre empresas e trabalhadores.

A luta das Mulheres Indígenas do Médio Xingu para exigir a suspensão da licença de instalação de uma mina de ouro em seu território é tema de reportagem publicada nesta edição. Elas buscam obter apoio nacional para impedir o projeto aurífero Volta Grande do Xingu, da mineradora canadense Belo Sun, que pretende extrair ouro em uma área já bastante degradada pela usina hidrelétrica de Belo Monte, que alterou o fluxo do rio na região.

A seção Perfil apresenta a Malungu (Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará), cuja missão é garantir o território, a cultura, o modo de vida e os direitos das comunidades quilombolas nas esferas municipal, estadual e federal. No Pará, estado com a quarta maior população quilombola do Brasil, 94% das lideranças quilombolas ameaçadas vivem situações classificadas como “muito graves”, segundo levantamento da instituição. Os dados revelam um cenário de violência crescente, marcado por conflitos fundiários, pressões territoriais e ausência de políticas efetivas de proteção.