Nesta segunda-feira, 4 de abril, o programa Pauta Brasil ouviu Juliane Furno e William Nozaki, com mediação de Ellen Coutinho, diretora da Fundação Perseu Abramo, sobre a conjuntura atual da Petrobras.

William Nozaki é economista, sociólogo, professora da Fundação Escola de Sociologia e Política. Ele analisou a conjuntura e explicou que as mudanças que seriam anunciadas foram canceladas. “Todas essas mudanças se inscrevem num processo de disputa interna dentro da Petrobras que tomou proporção maior em função da política de preços”, falou.

Nozaki relembrou como que o preço do que é produzido no Brasil a partir da variação internacional do petróleo, “ teve como efeito colateral o aumento de preços e a inflação”. Essa política foi adotada pela Petrobras desde 2016 "num contexto de redefinição da Petrobras, com redução de segmentos e privatização”, falou. "A política de refino precisa ser revista e isso não será possível se não mudarmos as políticas de dividendos da Petrobras, que precisa voltar a ser estatal", afirmou.

A Petrobras é um exemplo da dinâmica do funcionamento do governo Bolsonaro. “As mudanças foram postergadas também para camuflar as denúncias de desvio no Fundo de Educação. Não há nenhuma intenção do governo de mudar a paridade de preços. Eles querem ganhar tempo por conta do período eleitoral e empurrar com a barriga a solução dos problemas”, disse William ao analisar as indefinições sobre o setor.

Juliane Furno é doutora em desenvolvimento econômico pela Unicamp. Ela avalia que é necessário “pensar caminhos, assim como para a fome do povo brasileiro, com políticas urgentes para a Petrobras”, relatando também a trajetória da empresa na produção de petróleo, emprego e renda. Privatização e papel desvirtuado, análise das taxas de lucros da empresa e os desinvestimentos foram duramente criticados por Juliane: "foi criminoso o que esse governo fez".

Ela comentou que a política de preços mostram contradições que irão nos afetar no futuro. "Vamos herdar um fato concreto desta política de preços, de paridade com o preço de importação: temos menos capacidade de produção do que era refinado no país". A concorrência e as privatizações serão entraves para reverter o quadro atual, analisou Juliane Furno, que também relembrou os efeitos multiplicadores do tempo que a empresa produzia a partir de outros critérios e com outras estratégias.

Busca de autossuficiência na produção do petróleo, combustíveis e derivados, os caminhos para superação da crise, abertura do mercado para importadores, desmonte da Petrobras, inflação e preço do petróleo estiveram no Pauta Brasil desta segunda. Assista a íntegra aqui.

Pauta Brasil recebe especialistas, lideranças políticas e gestores públicos para discutir os grandes temas da conjuntura política brasileira. Os debates são realizado nas segundas e sextas-feiras, sempre às 17h, e serão transmitidos ao vivo pelo canal da Fundação Perseu Abramo no YouTube, sua página no Facebooke perfil no Twitter, além de um pool de imprensa formado por DCM TV, Revista Fórum, TV 247 e redes sociais do Partido dos Trabalhadores.