A igualdade e o futuro da América Latina foi o tema da palestra proferida pelo ex-presidente Lula no encerramento do Encontro Internacional Democracia e Liberdade: para um novo modelo solidário de desenvolvimento, realizado pelo Grupo de Puebla e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O encontro reuniu, em 29 e 30 de março, diversas lideranças brasileiras e internacionais com o objetivo de ser uma oportunidade de reflexão, formação e debate.

O reitor da Uerj, professor Ricardo Lodi Ribeiro, abriu o painel afirmando que a Universidade só não fechou devido à garra da comunidade, que conseguiu reverter o quadro com ajuda de muita gente. "Fizemos o que chamamos de pequena revolução da Uerj. Colocamos no centro das prioridades a permanência dos estudantes, distribuímos 10 mil tablets, 12 mil pacotes de dados, auxílios emergencial, creche, transporte, alimentação e material didático porque nos inspiramos no exemplo de Lula: inverter prioridades e colocar o pobre no orçamento”, afirmou.

Em seguida, o ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper, fez também sua saudação e trouxe uma mensagem do Grupo de Puebla. “Queremos Lula presidente, para que volte a igualdade, democracia e soberania. Todos os países da América Latina encontraram no governo de Lula e de Dilma uma defesa da soberania frente ao intento hegemônico de intervenção nestes países”.

A vice-presidenta da Espanha, Yolanda Díaz, afirmou: “falamos a linguagem da democracia, das mulheres, que não vão parar, pois são o motor da mudança e vão mudar o mundo, inclusive o Brasil. A linguagem da juventude, que está na universidade; do planeta, pois sem cuidar da vida não há futuro. E dos trabalhadores, da gente comum. E o único que pode fazer, como fizemos na Espanha, a recuperação dos direitos, é Lula da Silva.”

Para o ex-presidente da Espanha, José Luis Rodrígues Zapatero, a missão, a tarefa histórica do Brasil e na América Latina é levar Lula à Presidência. “Estou aqui porque gosto de estar entre gente decente e honesta. Tentaram apartar Lula e Dilma da política, mas como são honestos estão de volta. Admiro o presidente Lula, que sempre se preocupou com os humildes, com os pobres, que dedicou sua vida para que os demais possam viver melhor. O Brasil não é Bolsonaro, são as mulheres e homens livres que construíram o país contra a ditadura. Os progressistas do mundo esperam a vitória dele no Brasil”, concluiu.

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante, disse que o Grupo de Puebla nasceu há três anos, como articulação de lideranças da América Latina, no momento em que estávamos sendo duramente atacados e Lula estava preso. “A democracia é a liberdade de expressão, manifestação e também um mecanismo de reconhecer direitos. Em toda região temos uma extrema direita que quer destruir a democracia. Vamos lutar muito este ano para derrotá-la”, afirmou.

A ex-presidenta Dilma Rousseff falou sobre sua saída da Presidência da República em 31 de agosto de 2016: “Eu disse que voltaríamos e voltamos, estaremos nas ruas defendendo a reconstrução do Brasil. O reconhecimento da inocência do presidente Lula permitiu que tenhamos uma alternativa no campo da defesa do povo desse país, das mulheres, dos negros, dos mais pobres, das classes médias, dos estudantes, do jovens dos professores. Não deixaremos a Petrobras ser entregue às grandes empresas internacionais. Não permitiremos que continuem condenando 19 milhões de brasileiros à fome.”

O ex-presidente Lula iniciou seu discurso dizendo que todos nós, seres humanos, precisamos ter uma causa: "se a gente não tem precisa arrumar, porque a pessoa que não tem algo para defender não está sendo útil em sua passagem pelo planeta terra. Pode ser ambiental, sindical, político-partidária, econômica, mas temos que ter motivação para levantar e fazer algo para ajudar as pessoas. Se todos tivermos uma causa nunca seremos derrotados. Estou nesta briga há muitos anos, e, nesta caminhada, a gente perde e a gente ganha. Mesmo quando perde, se tivermos uma causa nobre, continuaremos lutando”.

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