Para cada luta ancestral, seguiremos em marcha
Cada mulher preta carrega dentro de si um Baobá. Esse tronco nos sustenta, nos mantém, de pé, eretas, cabeça erguida, e é responsável pelo nosso caminhar. Nas extremidades deste Baobá se encontram todas as nossas ancestralidades, mulheres que nos trouxeram. Quando essas extremidades se conectam em nossas células, acontece um feitiço, e daí a gente consegue enxergar um caminho e também escurecê-lo . Daí se ligam presente, passado e futuro.
Hoje é dia de quilombo, na verdade todo dia é dia de quilombo. Um salve a Beatriz Nascimento, que em toda sua sabedoria, nos ensinou que toda pessoa preta é um quilombo, e memória de quilombo é memória de liberdade, a bonança, memória de família, festa, e memória de resistência, mas também é memória de tristeza, e ser memória de tristeza decorre do fato de que quilombo é resistência. Pra que quilombo? Por quê quilombo?
Quilombo é casca, é proteção.
E desse tronco fértil a nutrição, como quilombos, vivemos entre resistir e existir, do sobreviver e existir, do estar e existir, do morrer e existir , do não morrer e existir, de ser mulher preta e existir. Um salve a quem nos trouxe aqui. Estamos em marcha.