O ex-secretário-geral da presidência do governo de Jair Bolsonaro, Gustavo Bebianno, se filiou ao PSDB no último fim de semana. A filiação foi feita por João Doria, no Rio de Janeiro, no dia 1º de dezembro, quando Bebianno se colocou à disposição do projeto político de Doria.

Além de presidir o PSL durante a eleição de 2018, o advogado Gustavo Bebianno comandou diretamente a campanha de Jair Bolsonaro e foi nomeado secretário-geral da Presidência. Em meio à crise deflagrada pelas denúncias da imprensa de uso de candidaturas de laranjas pelo PSL, Bebianno se desentendeu com os filhos de Bolsonaro que o chamou e mentiroso e se tornou desafeto da família. Foi exonerado do cargo em fevereiro e foi o primeiro ministro demitido da equipe de Bolsonaro.

Na opinião de Bebianno, Bolsonaro deixou o poder subir à cabeça e agora "pensa única e exclusivamente em sua reeleição". Abandonou promessas de campanha para proteger e favorecer os filhos, e se referiu ao vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), como “debilóides”, "dois seres inexpressivos comandando as diretrizes do país de forma oficiosa. Um nível de burrice nunca visto".

Segundo o ex-secretário geral da presidência, "o presidente não tem nenhum interesse pelo social, pela cultura, pela saúde, por nada daquilo que é importante para o país” e o Brasil vive um ambiente de "instabilidade política e econômica" provocado pelo "grau de loucura e irresponsabilidade capitaneado pelo próprio presidente”, que faz uma gestão marcada pelo autoritarismo e “desgoverno”.

Para Bebianno a democracia está em risco e "tudo que o presidente quer é um pretexto para adoção de medidas autoritárias, que não serão aceitas pela maioria do país”. Também comentou as declarações do ministro Paulo Guedes, na semana passada, de que é possível alguém pedir um AI-5 a qualquer momento, dizendo que “pode ter sido um ato falho dele, de tanto ouvir essa conversa no Palácio do Planalto" e acredita que Bolsonaro pode tentar uma ruptura institucional, mas que não deve se consolidar porque não conta com o apoio das Forças Armadas.

A filiação de Bebianno ao PSDB no Rio de Janeiro indica estratégia do partido de se fortalecer no estado, como uma força de centro em oposição ao governo extremista de Bolsonaro. Em seu discurso, Doria pediu que o partido busque unir o Brasil e diminuir a polarização política, tomando posições ao centro do espectro político e criando distância de extremismos de direita e esquerda. Disse também que o fortalecimento do PSDB do Rio precisa envolver uma campanha de filiação de jovens e mulheres, bem como um aprimoramento da comunicação via internet e redes sociais.

Exaltou Bebianno por qualidades como coragem e determinação e por sua atuação como um dos principais responsáveis pela vitória eleitoral de Bolsonaro, mas que, a partir de agora, está "na direção certa". Bebianno, por sua vez, exaltou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a luta contra a inflação, criticou o PT e pregou união em defesa da democracia ameaçada, segundo ele, pela "perversidade das polarizações".

Bebianno vai assumir o diretório municipal da capital do Rio de Janeiro com a tarefa de alavancar candidaturas de vereadores para a eleição do próximo ano. Embora tenha demonstrado interesse em disputar a prefeitura do Rio, o PSDB a princípio aposta na candidatura Mariana Ribas, ex-secretária de Cultura do município.