O governo federal anunciou corte de verbas para universidades federais, em especial a Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a justificativa de que estas estariam promovendo "balbúrdia" ao invés de se preocupar com as atividades acadêmicas.

Por um lado, o argumento do governo é extremamente autoritário e fere a autonomia das universidades federais, garantida para que não se repetisse a experiência das intervenções que ocorreu durante a ditadura militar. Por outro lado, o argumento de que estaria "moralizando" as instituições serve para mascarar a incompetência do governo em garantir orçamento para áreas fundamentais do país, como é a educação: o Ministério da Educação necessitava realizar cortes em algum lugar, já que sofreu contingenciamento de 5,8 bilhões de reais de seu orçamento em março deste ano.

Assim, mascarando a falta de financiamento da área, são atacadas as universidades sob o argumento de
"colocar ordem na casa". Ainda, o anunciado vago de que tais universidades teriam "caído nos rankings" não diz a qual ranking se refere: as três são grandes e reconhecidas instituições brasileiras em
ensino, pesquisa e extensão, com projeção regional, nacional e internacional.

É bom lembrar que, em São Paulo, foi instaurada uma CPI para fiscalizar supostas irregularidades na Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), mas que tem também forte caráter persecutório e ameaça o livre pensar. E, ainda, que o grande parceiro de Jair Bolsonaro na Europa Central, Viktor Orbán, expulsou universidades do território da Hungria e baniu por lá os estudos de gênero.