Na manhã de hoje o ministro da Economia, Paulo Guedes, desistiu de ir à audiência na Comissão de Constituição e Justiça, na Câmara Federal, para defender a reforma da Previdência, alegando que aguardaria a definição do relator. Líderes dos partidos descontentes com o governo articulavam um boicote à reunião e devem realizar um ato público na Câmara para declarar oposição a diversos pontos da reforma, como a redução do Benefício de Prestação Continuada para idosos carentes e mudanças na aposentadoria rural.

A semana anterior havia terminado em impasse diante da defesa da Reforma da Previdência no congresso. Houve controvérsia entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que culminou com a prisão de Michel Temer, Moreira Franco e Coronel Lima, na última quinta-feira. Aparentemente, foi uma represália da força-tarefa da Operação Lava Jato às críticas feitas por Maia ao pacote anticorrupção enviado por Moro ao Congresso e as respostas de Carlos Bolsonaro à Maia pelas redes sociais.

No final da semana, Maia afirmou que o governo de Jair Bolsonaro não pode "terceirizar a articulação" política com o Congresso, transferindo para os presidentes da Câmara e do Senado a responsabilidade de articulação da reforma da Previdência, uma conversa que, em seu ponto de vista, o presidente devia fazer pessoalmente com os partidos que apoiam a reforma da Previdência.

Por outro lado, em visita ao Chile, Bolsonaro declarou que a responsabilidade pela reforma da Previdência, neste momento, estava com o Parlamento brasileiro e que “infelizmente no Brasil há algumas pessoas que não querem largar a velha política".

No Congresso, a semana começou com a declaração do deputado Felipe Francischini (PSL-PR), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, de que espera uma melhora do clima político para a indicação de um relator para a reforma da Previdência no colegiado. O líder do PSL, Delegado Waldir (PSL-GO), também avaliou que a designação do relator na CCJ só ocorrerá quando o ambiente estiver pacificado. O nome mais cotado para a relatoria era o do deputado Eduardo Cury (PSDB-SP), mas ataques de integrantes do PSL ao presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, comprometem a relatoria da reforma pelo partido.

Em reunião, na manhã da segunda-feira, com Onyx Lorezoni, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e outros ministros, a ordem de Bolsonaro foi “pacificar” a relação com o Congresso, com uma série de conversas dos ministros Paulo Guedes e Onyx Lorenzoni junto aos líderes parlamentares para tornar o ambiente político mais favorável. A tentativa, no entanto, parece não ter sido bem-sucedida.

O líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), avaliou “A decisão de não vir impede a Câmara de debater profundamente a proposta e de mostrar alternativas ao governo. Portanto, fugir ao debate nunca é uma boa solução”.