Na cidade de Campo do Meio (MG), o Quilombo Campo Grande possui vinte anos de existência e agrega 450 famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que estão gerando trabalho e renda por meio da produção agroecológica. Esse assentamento de trabalhadores rurais foi feito nas terras de uma usina de cana de açúcar desativada após falência dos proprietários.

O Quilombo Campo Grande encontra-se ameaçado após decisão do juiz Walter Zwicker Esbaille Junior, que mandou despejar as famílias de assentados e desfazer a ocupação. Em 2015, o governo de Fernando Pimentel (PT) publicou o decreto 356/2015, que desapropriava 3.195 hectares das terras, entretanto acionistas da empresa, apoiados pela bancada ruralista não aceitaram o acordo e pediram anulação do decreto. Segundo o MST, a decisão favorece a empresa Jodil Agropecuária, pertencente ao empresário João Faria, um dos maiores produtores da monocultura do café em âmbito mundial.

Se a decisão não for revertida serão eliminados 520 hectares de plantação de café guaií, 1,2 mil hectares de lavoura, 69 hectares de horta agroecológica e 73 mil árvores de frutíferas. Em plena produção, o assentamento também conta com 2,4 m² de tanques de peixes, 322 caixa de abelhas, 1,2 mil cabeças de gado e 23,7 mil galinhas.