Em 2015, a Fundação Ulysses Guimarães e o MDB lançaram o documento "Ponte para o Futuro", uma espécie de plano de governo (fora de período eleitoral), para sacramentar o compromisso de Temer com o programa neoliberal do ajuste fiscal. No documento, são apontadas diversas medidas que submetem todos os objetivos de política econômica à política fiscal. Previa-se o corte de direitos com uma reforma trabalhista (nos moldes da já realizada), um forte arrocho dos gastos sociais (nos moldes do já realizado pela Emenda Constitucional 95) e uma reforma da previdência draconiana (ainda em debate).

Não é segredo, para aqueles que estudaram este "programa de governo" de Temer e acompanham o debate econômico, que Paulo Guedes seguirá na mesma linha de Temer, com uma política econômica que gera resultados pífios, relega 12,5 milhões de brasileiros à desocupação e 27,5 à subutilização. Na verdade, a proposta é aprofundar o ajuste fiscal e aprofundar as propostas de cortes de direitos, radicalizando o programa do golpe.

Agora essa estratégia, de seguir a mesma linha e aprofundar as reformas que cortam direitos, ficou mais clara: documento Caminho para o Futuro, lançado pelo MDB  e ainda não disponível ao público amplo, apoia as medidas de Temer em contradição à política econômica do PT até 2014 e diz que o povo brasileiro escolheu não continuar com as políticas da "era PT" (sem no entanto dizer que a todo momento o MDB esteve ao lado do PT). O documento saúda o governo Bolsonaro como continuidade deste projeto e aponta que Bolsonaro vai conseguir aprofundar esse programa. "Não há caminho alternativo", diz o documento. Também é sintomático que Renan Calheiros, grande nome do MDB, declare que há uma convergência programática na economia com Bolsonaro.

No plano econômico, Bolsonaro é o aprofundamento do projeto do "Ponte para o futuro", a legitimação autoritária da perda de direitos e do golpe.