No dia de ontem, enquanto os despachantes do PSDB registravam o “programa de governo” de apenas três páginas de Geraldo Alckmin – certamente o mais medíocre programa de um candidato à presidência da República desde 1989 - o Banco Central, comandado pelo aliado Ilan Goldfajn, informava que de acordo com seu indicador antecedente (IBC-Br) o PIB do país caiu 1% no segundo trimestre do presente ano.

Os dois episódios, claro, estão diretamente relacionados. Os correligionários de Alckmin espalhados pelos ministérios da área econômica do governo Temer têm executado com diligência a agenda neoliberal que havia sido derrotada na eleição de 2014. Primeiro pelo atalho das chantagens parlamentares (2015-2016) e depois pela mão pesada do golpe contra Dilma Rousseff, os golpistas do PSDB e do MDB impuseram ao país uma política econômica regressiva, cujos resultados desastrosos podem ser vistos em qualquer direção que se olhe - a expressiva queda de 1% do PIB às vésperas da eleição é apenas a mais recente calamidade que o neoliberalismo turbinado dos tucanos golpistas consegue entregar aos brasileiros.

Diante de tamanho estrago, com o país caindo pelas tabelas e a economia estirada no fundo da cova, a alternativa encontrada pelo candidato Alckmin foi se apresentar à eleição com um programa que é um eloquente elogio ao vazio ou aos velados sabores do chuchu.
Mas, se para os eleitores comuns o PSDB não se dignou a apresentar uma única ação concreta, nas páginas dos jornais que dialogam diretamente com quem de fato manda nesta bagaça – os players do mercado financeiro – o formulador do programa econômico de Alckmin, o economista-banqueiro Pérsio Arida, cuidou de dar detalhes de quais seriam as principais ações de um hipotético governo tucano.

Além de referendar tudo que foi realizado durante a gestão Temer (a reforma trabalhista, o desmonte dos bancos públicos, o teto de gastos, a venda do pré-sal, etc), sinaliza que pretendem aprofundar de forma ainda mais radical a agenda liberal, privatizando o que resta do setor estatal, abrindo o mercado brasileiro para a entrada maciça de produtos estrangeiros (fala-se em um grau de abertura de 50%) e aprovando a Reforma da Previdência nos moldes da que Temer queria apresentar ao Congresso.

Alguém haverá então de perguntar: mas como pretendem estes fulanos disputar uma eleição com um programa tão impopular que não pode sequer ser revelado à luz do dia e que já deu tantas evidências de seu fracasso? Como diria o poeta parnasiano, “de certo perderam o senso” - a que se poderia emendar: mas ainda não o dinheiro.