Estados Unidos, China e União Europeia travam uma guerra comercial de alta belicosidade como há muito não se via. Entre bravatas e barreiras tarifárias, os três grandes polos da economia mundial fazem agitar os mercados, espalhando tensão e volatilidade para a periferia do planeta. Aqui e ali já são apontados os primeiros efeitos deletérios sobre o comércio mundial (leia aqui) que muito provavelmente perderá potência nas próximas curvas.

Para o Brasil, além dos efeitos indesejáveis do desaquecimento, outras nuvens deverão se instalar no horizonte, a depender do desfecho da peleja. No caso dos Estados Unidos insistirem em fechar o seu gigantesco mercado de consumo para bens manufaturados produzidos na China, é muito provável que os chineses redirecionem sua artilharia de containers para mercados de países mais dóceis, como nós e nossos parceiros comerciais de hemisfério sul. Se assim fizerem, inundarão nossa praça com bens industriais de todo e qualquer tipo, além de nos deslocar de terceiros mercados que hoje são o destino do que nos resta de exportação industrial.

A única forma de resistir à fricção produzida por essa guerra de gigantes é ampliar os graus de soberania nacional, preferencialmente a partir de uma aliança regional com nossos vizinhos sul-americanos. Essa alternativa, entretanto, parece difícil no atual quadro político do continente, onde governos neoliberais articulados com interesses estrangeiros parecem trabalhar diuturnamente para apagar qualquer traço de soberania.

Tirar essa classe entreguista do poder é, pois, tarefa urgente. Negociar nichos econômicos para as nossas cambaleantes estruturas industriais é o maior desafio a que deveremos nos dedicar para evitar a dissolução completa de nosso parque produtivo, de nossas riquezas naturais e de nosso mercado de trabalho. E nada disso será possível sem um governo legitimamente eleito, com forte apoio popular e que não tenha receio de lançar mão dos diversos instrumentos de que dispõe o Estado democrático para fazer valer os interesses nacionais.