O governo de direita do Partido Popular (PP), presidido por Mariano Rajoy desde 2011, não resistiu ao voto de desconfiança no Parlamento Espanhol. Este foi aprovado no final de maio por 180 dos 350 deputados ao somar os votos do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do Podemos e dos pequenos partidos regionais como os das Ilhas Canárias, Catalunha e País Basco.

Se opuseram, os parlamentares do PP e do Ciudadanos, um partido de direita criado em 2006 em contraposição ao Podemos, de esquerda, que eleitoralmente começou a romper o bipartidarismo espanhol capitaneado desde a redemocratização nos anos 1970 pelo PP e PSOE.

O Ciudadanos é atualmente presidido por Alberto Rivera que, em função da atual crise política na Espanha, prognosticou o fim do governo de seu aliado PP, defendendo a antecipação das eleições, pois as pesquisas eleitorais o favorecem. Quem apoiou a fundação do Ciudadanos em 2006 foram principalmente empresários e meios de comunicação interessados no surgimento de um novo partido de direita que conseguisse superar o desgaste do PP.

A proposta do voto de desconfiança partiu do PSOE em função das condenações de 29 dos 37 acusados no “Caso Gürtell” a poucas semanas. Alguns deles a mais de 30 anos. “Gürtell” em alemão significa “correia” em alusão ao empresário espanhol, Francisco Correa, que possui negócios relacionados à Alemanha e que, articulado com o tesoureiro do PP, Luis Bárcenas, e outros dirigentes partidários, foi o principal operador de recursos advindos de corrupção em obras públicas, lavagem de dinheiro e financiamento com “Caixa 2” das campanhas eleitorais deste partido.

Uma vez aprovado o voto de desconfiança, coube ao segundo partido mais votado em 2016, o Psoe, formar um novo governo. No entanto, apesar da vitória da votação que destituiu o PP do governo, o Psoe, com seu presidente Pedro Sánches à frente como primeiro-ministro ou “presidente de governo”, também formará um governo de minoria, como era o de Mariano Rajoy, pois Pablo Iglesias, líder do “Podemos”, declarou que votaram a favor da desconfiança por uma questão de “higiene política” e não por apoio ao Psoe.

Porém, Pedro Sánches e o Psoe têm a prerrogativa de definir o cronograma eleitoral, pois em princípio a eleição somente deveria ocorrer em 2020. Ou seja, se conseguir negociar seus projetos no Parlamento, apesar da oposição ferrenha que certamente enfrentará do PP e do “Ciudadanos”, o Psoe tem a possibilidade de levar o governo adiante e ampliar sua popularidade, que se reduziu sobremaneira após a política de austeridade inaugurada por José Luis Zapatero no início da crise econômica em 2009 e que levou a taxa de desemprego na Espanha a 20% em média e 35% entre os jovens, situação que quase não foi revertida até o momento.