Um dos efeitos colaterais desta estranha campanha eleitoral de 2018 é que a centro-direita, na falta de candidaturas competitivas, está sendo obrigada a expor precocemente ao público suas intenções programáticas, as quais em outras ocasiões costumavam ficar em segundo plano, ofuscadas pela discurso do “medo” que esgrimavam contra a “esperança”.

Agora, por conta da confusão que arrumaram para o país, patrocinando o golpe e tornando Lula um preso político, vão se dando conta de que o “medo” já não serve como estratégia política e, de forma inédita, se veem desafiados a propor um projeto para o país que seja capaz de reanimar esse mar de gente desolada que habita o Brasil pós-golpe.

Pois é aí que o bicho pega. A centro-direita não dispõe e nem tem interesse de oferecer ao país uma agenda programática que sirva ao conjunto da nação. Sua razão de ser é perpetuar um modelo de inserção do Brasil no mundo em que um punhado de bem nascidos possa manter seus privilégios, fazer girar os circuitos de ganho rentista, mesmo que na condição de sócios menores dos grandes grupos econômicos internacionais. Nossa mequetrefe “elite do atraso” não enxerga o Brasil e, por conseguinte, não reúne condições para apresentar um roteiro que dialogue com os sonhos dos brasileiros de carne e osso. Maior prova disso são os disparates que saem das cabeças dos assessores econômicos de seus candidatos.

Um caso emblemático é o da dupla Alckmin-Arida. Rastejando nas pesquisas de opinião, o candidato do PSDB empurrou para o picadeiro o economista Pérsio Arida, um professor universitário que depois de passar algumas vezes por altos cargos da área econômica do governo federal foi capaz de se transformar em um proeminente banqueiro. Nas últimas semanas, com frequência suspeita, Arida tem divulgado suas ideias nas páginas de destaque do jornal Valor Econômico e, subsidiariamente, nos cadernos de economia de outras publicações a serviço do rentismo. E tem dito coisas de envergar o espinhaço!

Depois de afirmar que pretende acabar com as despesas obrigatórias com saúde e educação (leia aqui), em sua mais recente declaração (Valor Econômico, 10/05/2018) disse que fixar o câmbio em patamar elevado para estimular a competitividade não faz sentido, visto que “todas as tentativas de controlar o câmbio nominal historicamente fracassaram”. Uai? Será que o Arida ouviu falar da China? Ou será que ele consegue apontar um único país que tenha conseguido realizar sua industrialização sem que tenha mantido uma taxa de câmbio desvalorizada?

No mundo da fantasia de Arida, a mola mestra do desenvolvimento econômico são as forças da concorrência. Tudo o mais é tentativa infrutífera e indesejável de tirar a economia do equilíbrio. Nos modelos tão encantadores quanto irreais que conserva em sua cabeça, a taxa de câmbio resultaria exclusivamente das leis do mercado e mantê-la em qualquer outro patamar levaria à redução da entrada de investimentos estrangeiros no país e a custos fiscais desnecessários.

Por incrível que possa parecer, desta perspectiva não faz o menor sentido observar as especificidades de cada país, de sua economia, nem tampouco atentar para o papel jogado por cada moeda nacional no dinâmico circuito internacional de valorização financeira. Além disso, se a taxa de câmbio é impactada por apostas em derivativos cambiais ou pelas exportações de bananas, tanto faz. No cínico mundo da chapa Alckmin-Arida, o capital se converte em um amalgama benfazejo e impessoal que fluirá para os rincões que melhor se ajustarem a seu apetite por lucros. Ponto! O resto é história.