A taxa de desocupação voltou a crescer no Brasil pela segunda vez consecutiva: a taxa medida pelo IBGE alcançou 13,1% no trimestre de janeiro a março de 2018, 1,3 ponto percentual acima da taxa de outubro a dezembro de 2017. Na comparação anual, no entanto (em relação a janeiro a março de 2017), houve queda de 0,6 ponto percentual.

No mês anterior (fevereiro), a taxa de dezembro de 2017 a fevereiro de 2018 também tinha sido mais alta que no trimestre anterior.

Outros pontos a destacar da pesquisa do IBGE são:

i) A população desocupada alcançou 13,7 milhões: esse número era de 12,3 milhões no trimestre anterior e 14,2 milhões no ano anterior;

ii) O número de empregados com carteira de trabalho assinada alcançou 32,9 milhões, com 408 mil pessoas a menos que no trimestre anterior, uma redução e menos 493 mil pessoas em relação ao trimestre de janeiro a março de 2017. O montante alcançado em março é o mais baixo da série histórica que começou em 2012;

iii) O número de empregados sem carteira de trabalho assinada alcançou 10,7 milhões de pessoas, caindo em -402 mil pessoas em relação ao trimestre anterior mas crescendo em 533 mil pessoas em relação ao ano anterior;

iv) A categoria dos trabalhadores por conta própria alcançou 23,0 milhões de pessoas, estável na comparação com o trimestre anterior, mas com alta de 839 mil pessoas em relação ao mesmo período do ano anterior.

Por um lado, é normal que haja aumento da taxa de desocupação no início do ano pelo término de contratos referentes a dezembro, devido ao Natal. Por outro lado, a alta do indicador tem feito diversos analistas reverem as projeções para o mercado de trabalho e até mesmo para o crescimento, pois confirmam que a economia está patinando e que o otimismo apregoado pelos analistas ligados ao mercado não tem fundamentos. Também é o consumo das famílias um dos motores esperados do crescimento econômico em 2018, mas com o mercado de trabalho em crise obviamente fica impactada a capacidade de consumir das famílias. Além disso, os números também indicam que o crescimento da ocupação nos últimos meses tem ocorrido com a ampliação dos empregos sem carteira e conta própria, com diminuição dos empregos com carteira assinada.