O documentário lançado em 2018, Take your pills (tome suas pílulas em tradução para o português) acompanha a vida de quem sempre tem que ter a disposição remédios estimulantes como a Ritalina e o Adderall. Estes são receitados para pessoas que possuem transtornos como déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), no entanto tornou-se uma epidemia entre as saudáveis que os utilizam para melhorar a performance nos estudos ou no trabalho.

Isso abre um debate sobre nossa sociedade atual, onde a competitividade e a alta demanda por resultados levam as pessoas à exaustão e, muitas vezes, a usar drogas para compensá-la e conseguir aumentar sua produtividade. A maioria dos casos retratados pelo documentário vai nesse sentido. Apenas dois entrevistados realmente tomam os remédios para controlar TDAH.

Um dos entrevistados, que opta por não ser identificado, diz que usou estimulantes para conseguir virar noites trabalhando a fim de completar as metas exigidas pelo seu chefe. Segundo ele, é comum em grandes empresas, devido a alta competitividade, o uso de Adderall. Chegou ao ponto que seu colega de trabalho teve que ser hospitalizado por exaustão. Outro, um produtor de músicas, conta que tomar as pílulas o faz ser “um capitalista melhor”.

E não apenas no mundo do trabalho existe tal epidemia: desde o colegial as pessoas são tentadas a utilizar os estimulantes. Há relato sobre como os alunos, que não possuem nem 18 anos ainda, tomam as pílulas para conseguir melhores notas no SAT (versão estadunidense do ENEM). Ao entrar na universidade, a pressão não diminui. Nos grupos e chats on lines dos universitários ocorre um grande mercado de compra e venda dos remédios.

Não tem como, assistindo o documentário, não pensar em como os valores da sociedade capitalista como, por exemplo, o individualismo, o “todos contra todos”, a busca incansável por alcançar metas e ser bem sucedido, além da pressão nas empresas para que os funcionários apresentem cada vez mais produtividade, está deixando a população doente, tanto fisicamente como mentalmente.