Ao acompanhar a absurda decisão do TRF – 4 contra o ex-presidente Lula na semana passada, não pude deixar de me recordar de um filme dirigido pelo dinamarquês Bille August, Pelle o Conquistador, que já foi exibido no Brasil muitos anos atrás e está disponível em DVD. Este filme é embasado na primeira parte do livro publicado em 1933 pelo escritor e, nesta época, membro do Partido Comunista da Dinamarca, Martin Andersen Nexoe, no qual, por meio da ficção, ele descreve o nascimento e a evolução do movimento sindical dinamarquês.

O filme retrata Pelle, um menino que é filho de um trabalhador agrícola sueco que emigra para a ilha de Bornholm na Dinamarca, onde ambos e seus colegas de trabalho sofrem toda a exploração e infortúnio proporcionado pelo dono e pelos capatazes de uma grande fazenda. O filme termina quando Pelle, já adolescente, deixa o lugar e se muda para a cidade. Não é mencionado, mas trata-se de Copenhagen, onde ele consegue uma colocação como aprendiz de sapateiro.

Nas segunda e terceira partes do livro, que lamentavelmente não existe em português, o autor descreve o crescimento do menino e o seu engajamento na luta sindical por melhores salários e condições de trabalho, que desembocou na greve geral que ocorreu na Dinamarca no final do século XIX e obrigou o patronato do país a assinar o primeiro contrato coletivo do trabalho.

No entanto, depois desta vitória, Pelle foi condenado à prisão. Foi acusado de falsificar dinheiro, pois, como ele desenhava muito bem, em determinado momento, quando a greve não tinha terminado ainda e a fome dos trabalhadores era intensa, para distrair seu filho desenhou e recortou algumas notas de dinheiro para que este pudesse brincar. Esta foi a “prova” para condená-lo, assim como um apartamento que não lhe pertence foi a “prova” para condenar o Lula, pois a burguesia em qualquer país não admite que um trabalhador desafie seus interesses.