Senhor:

JUAN MANUEL SANTOS CALDERON

PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Palacio de Nariño, Bogotá.

Senhor Presidente:

Envio ao Senhor uma saudação patriótica, acompanhada da esperança em que o maravilhoso sonho da paz para nosso país, consiga finalmente florescer e estender por toda Colômbia.

Começarei por me referir a suas palavras na noite do último 14 de novembro. Antes de seu chamado veemente ao Congresso da República, disse algo completamente certo, “Cuidar da paz, construir a paz, consolidar a paz, é a melhor herança que podemos deixar aos nossos filhos e às futuras gerações”. Nisso coincidimos plenamente.

Inclusive poderia lhe dizer que essas outras também conseguiram nos impressionar, “Como disse a Timochenko a primeira vez que o vi: possivelmente nunca estarei de acordo com sua maneira de pensar porém – se deixam as armas e se comprometam com a verdade e com as vítimas – daria minha vida para que possam expressar suas opiniões livremente nos fóruns da democracia”.

Não vamos pedir que ofereça sua vida em garatia do cumprimento do pactuado em Havana e assinado finalmente em Bogotá, não se trata disso, senhor Presidente. Mas sim queremos lhe pedir que dedique sia atenção a atender nossos alertas para o que foi apresentado com a decisão do Tribunal Constitucional e o aprovado na noite do dia 15 pelo Senado da República.

Mais que preocupações, os integrantes do novo partido nascido para a vida política como consequência do cumprimento de todo o pactuado em Havana, estamos alertas em grau máximo, não apenas pelo descumprimento por parte do Estado em diversas matérias acordadas, mas sobretudo pela ousadia com a qual diferentes instituições vêm atuando em contradição aberta com o Acordo Final, até o ponto de modificá-lo em aspectos essenciais.

Mostra disso são a recente decisão do Tribunal Constitucional e a votação efetuada no Senado na noite do último dia 15, que demonstram uma vontade aberta de impôr seus critérios, em uma espécie de renegociação extemporânea e unilateral do que tanto esforço nos levou a acordar em cinco anos de intensos debates na Mesa de Diálogo.

Mais do que agitar publicamente em uma carta, nos interessa especialmente falar com você, senhor Presidente, pessoalmente, no menor prazo possível, para tratar dos temas que tão profundamente afetam a nós e à consolidação efetiva da paz no país. Alguém dizia que cinquenta por cento do que se faça na Mesa de Quito é o cumprimento do pactuado com as FARC por parte do Estado colombiano. Não acho que esteja muito errado.

Permita-me, portanto, pedir-lhe, da maneira mais respeitosa, mas sincera, realizar uma reunião urgente que nos permita encontrar a fórmula para cuidar, construir e consolidar a paz que com tantas dificuldades selamos nos Acordos de Havana. Ventos da tempestade sopram sobre o processo de paz colombiano e consideramos urgente encontrar-lhes saídas razoáveis.

Por fim, digo-lhe que conta com minha total disposição para viajar aonde o Senhor considere necessário.

Cordialmente,

RODRIGO LONDOÑO ECHEVERRY

Presidente da FORÇA ALTERNATIVA REVOLUCIONÁRIA DO COMUM (FARC)