"Eu saio da Bahia agradecido com o carinho do povo, com o tratamento que o governador me deu”, afirmou o ex-presidente Lula ao discursar brevemente no Acampamento Valdir Macedo, no município de Jandaíra, próximo à divisa entre a Bahia e Sergipe. No quarto dia de Lula pelo Brasil, Lula fez uma pausa na viagem de ônibus que percorrerá todos os estados do Nordeste para um farto almoço com companheiros assentados do MST. São 50 famílias vivendo no local, um total de 200 pessoas que há 4 anos e meio ocupam as terras mesmo sem estrutura alguma: sem água, luz ou asfalto. São barracos de palha e sapê e cerca de 10 casas pré-moldadas doadas por uma ONG de São Paulo.

Batizado com o nome de uma importante liderança do movimento da região, o acampamento Valdir Macedo é lugar de luta, mas também de alegria, galinhas soltas e crianças correndo animadamente. Vivendo de subsistência local, as famílias vivem na criação das aves e do plantio de legumes e verduras. Muitos são beneficiários do Bolsa Família, o que ajudou a mudar profundamente a realidade dos que vivem ali. E também por conta do programa, todas as crianças estão na escola. Há inclusive uma biblioteca no local, que Lula chegou a visitar, e que foi batiada de “Dona Maurina” – mãe de Adailton e ex-professora de Fiô, duas das lideranças da região. Pouco antes de entrar para almoçar, Lula agradeceu o carinho com que foi recebido. “Eu fico pensando nessa terra em que vocês estão acampados há quatro anos. Era uma boa política que o governo apressasse essa desapropriação para que vocês começassem a produzir o feijão que vai encher a barriga daqueles que são contra nós pelo Brasil inteiro.”

Logo em seguida, Lula explicou o segredo que o faz resistir tão bravamente a todos os insistentes ataques que sofre cotidianamente: “Não adianta tentarem me fazer mal, não adianta tentarem me perseguir, porque eu tenho sangue nordestino, e quem tem sangue nordestino não desiste nunca!”. Prestes a seguir para o Sergipe, Lula afirmou ainda que suas andanças para viajar o país, olhando no olhos das brasileiras e dos brasileiros e escutando do povo as demandar para o país voltar ao rumo do crescimento, está longe de acabar. “Depois que chegar ao Maranhão, eu vou para casa trocar de roupa e fazer outra caravana pelo país porque não é justo, não é humanamente correto, que o povo brasileiro, que tinha conhecido o prazer de viver um pouco melhor esteja ficando empobrecido outra vez.”

Me representa!”, entoaram animados os moradores do acampamento. “Se preparem porque serão dias de muito discurso, para ouvir muita gente. E eu tenho certeza de que Sergipe vai fazer tão bonito quando a Bahia fez.” “Um beijo para Sergipe porque eu tô chegando agora!”

Por Clarice Cardoso, enviada especial ao Nordeste com a caravana Lula pelo Brasil, para a Agência PT de Notícias