No Brasil, não existem pesquisas oficiais periódicas para mensuração das pessoas em situação de rua, fato que compromete a formulação das políticas sociais direcionadas para esse público. Com a finalidade de refletir sobre o tema, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elaborou uma estimativa da população em situação de rua brasileira. Foram utilizados dados 1.924 municípios disponíveis no Censo do Sistema Único de Assistência Social, variáveis de crescimento demográfico, centralidade e dinamismo urbano, vulnerabilidade social e serviços voltados para este público, assim como os indivíduos em situação de rua cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal. Segundo este levantamento, coordenado pelo pesquisador do Ipea, Marco Antônio Carvalho Natalino, estima-se que eram 101.854 as pessoas em situação de rua no Brasil no ano de 2015. No que se refere á distribuição pelas regiões geográficas brasileiras, nota-se o reflexo da presença desse grupo social em cidades de grande porte. A estudo apontou a região Sudeste como detentora de 48,9% da população em situação de rua. Em contraponto, seguiram com uma distribuição bastante inferior: região Norte (4,3%), região Nordeste (22,4%), região Centro-Oeste (8,6%) e a região Sul (15,7%). A pesquisa estimou que 77% deles moravam em grandes cidades, com mais de 100 mil habitantes. Por outro lado, nos municípios com até 10 mil habitantes moravam 6,6% das pessoas em situação de rua, (6,7 mil). A principal conclusão foi que a população em situação de rua se concentra fortemente em municípios de maior porte.