Ano 4 – nº 60 – 02 de março de 2017

 

Equador: Lenín Moreno vence o primeiro turno

No último domingo (19) ocorreram as eleições gerais no Equador para Presidência e Assembleia Nacional. Lenín Moreno, o candidato do governo e representante do Movimento Alianza-PAIS, venceu com 39,3% dos votos válidos. O banqueiro Guillermo Lasso, do CREO-SUMA, ficou em segundo, com 28,1%. Entretanto, para ganhar em primeiro turno, as leis eleitorais impõem que o candidato em primeiro lugar deva ter pelo menos 40%, contanto que obtenha 10% a mais do que o segundo colocado. Portanto, haverá segundo turno em 2 de abril.

Na Assembleia Nacional a Alianza PAIS obteve a maioria dos assentos: 73 de 137. O CREO-SUMA garantiu 35 cadeiras, seguido pelo Partido Social Cristiano (PSC) com catorze. A corrida presidencial teve, ao todo, oito chapas concorrentes. Entre estas, quatro se destacaram. Em primeiro lugar, Moreno com Jorge Glas como vice. Seu programa propõe dar continuidade às políticas implementadas por Rafael Correa, as quais lograram diminuir a desigualdade social no país dando maior peso ao Estado no que tange aos investimentos em educação, por exemplo. O concorrente direto – a chapa Lasso-Andrés Páez, por sua vez, apresenta um projeto voltado para os interesses empresariais, prometendo incentivar o investimento estrangeiro e diminuir os impostos. Ademais, Lasso é conhecido por ser um dos responsáveis do “feriado bancário” (manobra para salvar os bancos privados e passar a conta ao Estado) que trouxe a ruína ao país. Sua plataforma atual lembra as propostas dos novos governos de direita na América Latina, como Michel Temer no Brasil e Mauricio Macri na Argentina.

Os outros dois concorrentes que apareceram em destaque foram: Cynthia Viteri e Paco Moncayo. Viteri, do PSC, defendia reformas neoliberais, como a necessidade de abertura comercial, e já anunciou apoio à Lasso. Moncayo representava a coligação Acuerdo por el Cambio e, em linhas gerais, propunha diminuir os gastos estatais, dando mais espaço para parcerias público-privadas. Além disso, possuía apoio do partido Pachacuti, que é vinculado ao movimento indígena da Conaie (Confederación de Nacionalidades Indígenas del Ecuador).

As eleições do Equador refletem, no contexto latino-americano, mais um embate entre a perspectiva progressista e a visão neoliberal. Se Moreno vencer no segundo turno, com a maioria absoluta dos votos, terá maior legitimidade política do que com uma vitória apertada no primeiro turno. Também será uma grande conquista para os governos progressistas. Atualmente, observamos um avanço da direita nos países da região – vide Argentina, Brasil, Paraguai e a crise na Venezuela.

* As opiniões aqui expressas são de inteira responsabilidade de sua autora,
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