Tese com enfoque nos programas de Fitoterapia do SUS mostra como todo o território brasileiro é “SUS dependente”

Ano 4 – nº 258 – 06 de janeiro de 2016

Saúde: campos de invisibilidades do SUS

A tese de doutorado de Luis Henrique Leandro Ribeiro (Instituto de Geociências / Unicamp) tem enfoque nos programas de Fitoterapia do Sistema Único de Saúde (SUS) e também demonstra que o território brasileiro como um todo é “SUS dependente”.

O autor cita em sua pesquisa um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Sistema de Indicadores de Percepção Social – Sips/Ipea) de 2011, em que 34,3% da população brasileira afirmou nunca ter usado o SUS: aponta-se que é muito pouco provável que esse dado corresponda à realidade, pois o SUS está presente no cotidiano de toda a população brasileira.

O autor aponta que também se faz presente na vida diária das pessoas a produção de uma invisibilidade do SUS que responde a alguns interesses e intencionalidades, sobretudo daqueles vinculados à mercantilização e privatização da saúde. Segundo o pesquisador, existe a leitura (equivocada) de que somente 75% dos brasileiros utilizam o SUS, já que aproximadamente 25% da população é coberta por planos de saúde privados.

No entanto, quase todos os procedimentos de alta complexidade são realizados pelo SUS, mais da metade dos médicos trabalha no sistema, os maiores especialistas são formados com recursos públicos, os melhores centros de pesquisa em saúde ainda são públicos e o SUS tem grande papel nas campanhas de imunização e na urgência e emergência, assim como nas ações de prevenção e atenção primária.

O autor identifica dois campos de invisibilidades do SUS: i) certo “silenciamento” da presença do SUS, principalmente pela grande imprensa; ii) relativa limitação do SUS em incorporar práticas e saberes locais, silenciando sobre essas heranças.

O pesquisador observa que ambas as invisibilidades são expressões da dualidade do SUS: duas forças o movem, sendo uma delas a sua força fundante na Assembleia Constituinte (visando um sistema público e universal de saúde) e a uma força que realiza a saúde como mercadoria, gerando uma tensão que será acentuada com a abertura irrestrita da área de serviços e prestadores de saúde ao capital estrangeiro aprovada (a partir da Lei 13.097/2015).

Para ler mais:

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