Saldo da balança comercial brasileira tem mostrado recuperação no ano de 2015, após registrar déficit em 2014

Ano 3 – nº 303 – 18 de agosto de 2015
 

ECONOMIA NACIONAL

Setor externo tem queda nas importações e reação lenta das exportações: O saldo da balança comercial brasileira tem mostrado recuperação no ano de 2015, após registrar déficit em 2014. Ao longo deste ano, o Brasil já acumula saldo positivo de R$ 6 bilhões, sendo R$ 670 milhões apenas na segunda semana do mês de agosto. A melhoria no saldo comercial se deve em grande parte à retração nas importações, que apresentaram redução de 36% na média diária em comparação com o mesmo mês de 2014. Do ponto de vista das exportações, também é possível se notar uma retração, com queda de 25,3% na comparação com o mesmo período de 2014, com destaque para o embarque de produtos manufaturados (-28,2%). Como a queda das exportações é inferior à verificada nas importações, o saldo resultando é positivo, melhorando a situação das contas externas do país, sem com isso representar uma melhoria de sua estrutura produtiva.

Comentário: A principal explicação para a recuperação do saldo positivo da balança comercial é a retração econômica recente, que reduz o nível de consumo e, portanto, a necessidade de importação de bens manufaturados. Ademais, a desvalorização cambial também joga um peso importante neste cenário, encarecendo os produtos importados (que já contam com demanda reduzida) e elevando a rentabilidade dos exportadores. Com isso, as exportações no Brasil já apresentam os primeiros sinais de reação, segundo estudo da CNI, que apontou avanço de 0,6% na produção industrial destinada ao mercado externo no último trimestre. Infelizmente este avanço ainda está muito concentrado no setor de produtos básicos, que aumentaram 7,3% seu coeficiente de exportação na comparação com mesmo período do ano anterior, enquanto o coeficiente de exportação da indústria de transformação avançou apenas 0,7% no mesmo período. A demora na reação das exportações brasileiras, que seguem em níveis muito inferiores aqueles verificados nos anos anteriores, está relacionada em parte à dificuldade de recuperação de novos mercados no atual cenário de grande concorrência e contínua crise internacional, mas também em parte à estrutura produtiva brasileira fortemente dependente da produção e exportação de commodities, que tem visto seus preços caírem significativamente nos mercados internacionais. A manutenção de uma taxa de câmbio desvalorizada certamente é condição necessária para a retomada das exportações, mas não parece ser condição suficiente. Para alavancar nosso setor industrial e nossas exportações novamente, o país precisará contar com uma inteligente articulação entre condições macroeconômicas corretas (câmbio desvalorizado, juros menores e estabilidade de preços) com políticas industriais adequadas, além de reformas e investimentos nos setores de logística e transportes.
 
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