A aceleração da inflação em relação ao mês passado ficou abaixo da expectativa média dos analistas de mercado

Ano 3 – nº 262 – 08 de abril de 2015
 

ECONOMIA NACIONAL
Inflação acelera em março e registra alta de 1,32%: O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março divulgado nesta quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou alta de 1,32% na comparação com fevereiro, quando havia registrado alta de 1,22%. A aceleração da inflação em relação ao mês passado, no entanto, ficou abaixo da expectativa média dos analistas de mercado, que esperavam elevação de 1,39% nos preços do período. O resultado de março foi profundamente influenciado pela alta nos preços da energia elétrica, decorrentes do aumento das bandeiras tarifárias e de custos extras para compra de energia pelas concessionárias. Com isso, o preço da energia elétrica apresentou aumento médio de 22,8% e representou 0,71 ponto de aumento no total do IPCA do mês, correspondendo a 53,8% do índice. Por outro lado, ocorreu desaceleração nos preços do grupo educação (5,88% para 0,75%), comunicação (-0,02% para -1,16%) e despesas pessoais (0,86% para 0,36%), apontando para uma desaceleração rápida dos preços de serviços. Com este resultado, o IPCA acumula alta de 3,83% no primeiro trimestre do ano, alcançando elevação de 8,13% no acumulado de doze meses.
Comentário: O aumento do IPCA nos três primeiros meses do ano é resultado, em grande parte, das medidas de correção de preços administrados anunciadas pelo governo, como o aumento nos preços de combustíveis (também influenciados pela elevação do PIS/COFINS) e das tarifas de energia elétrica. A soma dos grupos alimentos, energia e combustíveis representa 4,35% da inflação de 8,13% dos últimos doze meses. Nos demais grupos analisados o comportamento dos preços livres já apresenta sinais de estabilização, em decorrência da queda no ritmo de atividade econômica, o que em tese prenuncia uma redução da inflação nos meses vindouros, uma vez finalizados os efeitos dos choques de preços administrados deste primeiro trimestre. O problema é que, junto ao aumento dos preços administrados, estamos passando por um período de desvalorização cambial, que irá afetar os preços à vista no futuro, conforme já aponta a elevação dos índices de inflação no atacado. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), por exemplo, registrou alta de 1,21% em março contra elevação de 0,53% em fevereiro, puxado principalmente pelo grupo de alimentos e passagens aéreas (itens altamente influenciados pelo valor da taxa de câmbio). Sendo assim, é provável que a inflação apresente queda nos próximos meses, mas siga pressionada, apesar do arrefecimento da pressão exercida pelos preços administrados, uma vez que os preços livres influenciados pela taxa de câmbio devem seguir em alta. Debeladas ambas as pressões, a queda na inflação deverá ser mais pronunciada, já que o mercado de trabalho e o setor de serviços, que vinham pressionando a inflação nos últimos anos, apresentam sinais de rápida desaceleração.
 
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