O jornal estadunidense Washington Post, um dos mais influentes do mundo, destacou em sua edição de quarta-feira, 31 de março, que Cuba pode se tornar uma potência da vacina contra o coronavírus, “contra todas as probabilidades”. Cinco vacinas estão em desenvolvimento em Cuba, duas em estágio final de testes com o objetivo de uma distribuição mais ampla até maio.
O diário lembra que o líder cubano Fidel Castro, morto em dezembro de 2018, prometeu nos anos 80 transformar Cuba em rolo compressor da biotecnologia, a partir de um minúsculo laboratório de Havana. “Quarenta anos depois, a nação-ilha comunista pode estar à beira de um avanço singular: tornar-se o menor país do mundo a desenvolver não apenas uma, mas várias vacinas contra o coronavírus”, destaca.
O Post diz que as vacinas serão uma proeza médica contra todas as probabilidades – bem como um golpe de relações públicas – para um país isolado de 11 milhões de habitantes que foi adicionado de volta à lista dos Estados Unidos de patrocinadores do terrorismo no dias finais do governo Trump.
As autoridades cubanas dizem que estão desenvolvendo soros baratos e fáceis de armazenar. Os imunizantes comunistas são capazes de durar semanas em temperatura ambiente e em armazenamento de longo prazo de até 46,4ºC, tornando-os potencialmente uma opção viável para países tropicais de baixa renda que foram colocados de lado por nações maiores e mais ricas na disputa internacional para vacinas de coronavírus.
Jarbas Barbosa, diretor-assistente da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), sugeriu que pode levar até seis meses para que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprove as vacinas candidatas cubanas, se elas forem eficazes. “Saudamos todos os desenvolvimentos de vacinas, mas todas as vacinas do mundo precisam atingir os mesmos critérios para garantir qualidade, segurança e eficácia”, disse.
Diz a reportagem do Washington Post: “Se as vacinas de Cuba tiverem sucesso, seus pesquisadores terão superado ainda mais obstáculos do que seus pares nos laboratórios ocidentais – incluindo a falta de equipamentos, peças sobressalentes e outros suprimentos, em parte devido às sanções dos EUA.
Franco Cavalli, presidente da MediCuba Europe, um agrupamento de organizações sem fins lucrativos que auxiliam a pesquisa de biotecnologia de Cuba, disse que o grupo forneceu a Havana no ano passado um equipamento de US$ 500 mil de que precisava para avaliar a eficácia da vacina contra o coronavírus. “Uma vacina bem-sucedida pode se tornar uma nova fonte vital de receita para Cuba, que vem sofrendo uma crise econômica brutal que faz com que os cidadãos esperem horas na fila para comprar alimentos, sabonete e pasta de dente escassos”. O Washington Post não conta, mas as dificuldades da ilha caribenha são decorrentes do criminoso bloqueio econômico imposto pelo governo dos Estados Unidos.
Cuba sugeriu que fornecerá suas vacinas gratuitamente ou a preço de custo para as nações mais pobres. Mas poderia cobrar um prêmio de outros, ganhando dinheiro de maneira semelhante aos lucros que obtém de suas brigadas médicas, ou equipes de emergência de médicos e enfermeiras experientes no combate a surtos globais e enviados em grande número no ano passado para ajudar países duramente atingidos na luta contra o coronavírus. •
