é quarto-crescente e já venero a lua cheia
o disco nem foi lançado e já sei a letra
de cor
o sol ainda não nasceu e já estou estendida
na areia
fuzilem-me, não há nada em que eu não creia
A L&PM acaba de lançar em sua coleção de bolso (edições simples e bem cuidadas a um preço convidativo) a Poesia Reunida de Martha Medeiros, tornando acessível a um público mais amplo a obra dessa jornalista gaúcha que é sem dúvida uma das vozes mais possantes e singulares da poesia brasileira contemporânea.
O volume compreende seus quatro livros já publicados: Strip-tease (1985), Meia-noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991) e De cara lavada (1995).
Lidos em conjunto, els potenciam a dicção direta e ágil de Martha, com sua feição rítmica inconfundível, seus “cortes bruscos, cinematográficos” (Caio Fernando Abreu), a serviço de uma inteligência sem pudores e de uma sensibilidade agudíssima, na sondagem intensa, obstinada – quase diria: implacável, não fosse o senso de humor a subvertê-la – dos caminhos e descaminhos da paixão amorosa.
