Em nota, líderes da oposição denunciam Bolsonaro, por se ocupar da articulação de seus próprios delírios autoritários. E avisam que não há nada a comemorar em 31 de Março, quando o país vive a tragédia da pandemia
Por Carlos Siqueira, Carlos Lupi, Gleisi Hoffmann, Juliano Medeiros, Luciana Santos, Heloísa Helena, Wesley Diógenes e Leonardo Péricles *
No dia 31 de março, completaram-se 57 anos do golpe de Estado, que abriu as portas para a ditadura militar que perdurou mais de 20 anos e deixou sequelas profundas na história do país, nas vidas de pessoas e famílias, de democratas, a imensa maioria deles preocupados simplesmente em assegurar a preservação do Estado de Direito, em lugar do autoritarismo.
Não se pode negar que vivamos hoje desafios assemelhados, com a democracia correndo riscos sérios e objetivos, diante da escalada de um governo de pretensões claramente autoritárias, que não esconde tal intento de ninguém, e que tem se valido metodicamente de tentativas de cooptar tanto setores das polícias militares, quanto das próprias Forças Armadas, para implementar seu projeto político.
Jair Bolsonaro ocupa-se, neste sentido, de articular seus delírios autoritários, em lugar de assumir o papel de mais alto servidor público da Nação e, frente a essa missão, coordenar esforços nacionais, irmanado com governadores e prefeitos, no sentido de fazer face à gravíssima crise sanitária que o país enfrenta há mais de um ano.
Evidentemente, os democratas nada têm a celebrar em 31 de Março, embora reconheçamos que as Forças Armadas e suas principais lideranças têm se atido ao papel institucional que a Constituição Federal consignou a elas. Trata-se, sem dúvidas, de uma evolução civilizatória, que o presidente da República e seu atual Ministro da Defesa se negam a reconhecer, porque jamais superaram a data de 31 de março de 1964.
Jair Bolsonaro ocupa-se, neste sentido, de articular seus delírios autoritários, em lugar de assumir o papel de mais alto servidor público da Nação e, frente a essa missão, coordenar esforços nacionais, irmanado com governadores e prefeitos, no sentido de fazer face à gravíssima crise sanitária que o país enfrenta há mais de um ano.
O presidente destoa do povo, que precisa de saúde; de desempregados, que buscam o pão de cada dia; de famílias, que sofrem seus mortos pela Covid; de miseráveis, que tentam sobreviver à fome; das instituições, que desejam democracia e não um regime de força, que só faria perpetuar a desgraça em que vivemos atualmente.
Conclamamos o povo brasileiro a rechaçar qualquer tentativa de restrição da democracia.
Fora arbítrio, xô autoritarismo e viva o Brasil! •
