…até que um dia por astúcia ou acaso, depois
de quase todos os enganos, ele descobriu a porta
do Labirinto.
…Nada de muros.
Seus passos tinham – enfim!- a liberdade de traçar seus próprios labirintos.

Poucos poetas brasileiros, do século passado, ampliaram o alcance da poesia sobre a sensibilidade do homem comum como Mario Quintana. Com sua vida e sua criação, foi filho do século 20 e incorporou as revoluções da linguagem que ele produziu. A singela limpidez com que realiza seu texto nos indica uma espécie de conversação consigo mesmo, íntima, total, sem mediações. Alguns textos de Mario Quintana são lidos como se fossem uma frase de efeito publicitária. É um engano. É muito mais que isso. Não é jogo de palavras, apenas. É a sintética e transparente conversação dos sábios, com as infinitas angústias dos sonhos humanos. Mario Quintana realiza o sonho do poeta espanhol quando afirmava que todo grande poeta tende a buscar o anonimato. Seu verso se funde com a carne do próprio idioma, com o alento que vai dar expressão – e beleza – à fala do homem comum.

Nasceu em Alegrete (RS) em 1906 e faleceu em Porto Alegre em maio de 1994. Publicou A Rua dos Cataventos (1940), O Sapato Florido (1948), Espelho Mágico (1951), Antologia Poética (1966), A Vaca e o Hipogrifo (1977), entre outros.