Conheço uma palavra que soa como asa
Ela provoca a vertigem da alegria
Ela ressuscita as horas imortais
Ela enfuna a vela de meu sonho
Ela fixa um brilho de amor no canto dos meus olhos.
Conheço uma palavra que leva tudo o que senti
Minhas esperanças
Minha tristeza
Minhas noites e noites de conversas.
Essa palavra dá sentido ao que senti
Ela explica a cor de minha pele.
Essa palavra é o futuro para mim
É toda a loucura que vivi: Haiti.

René Depestre nasceu em Jacmel, Haiti, no dia 29 de agosto de 1926. Seu primeiro livro de poemas (Étincelles) é publicado em 1945. Em 1946 ele toma parte no levante que derruba o presidente Émile Lescot. Mas o Exército toma o poder: Depestre é preso e depois forçado a deixar o país. Refugiado em Paris, é expulso da França em 1952 por se envolver nos movimentos de descolonização. Vai para Cuba, de onde também é expulso pelo governo de Fulgêncio Batista. Vive na Áustria, no Chile, na Argentina, no Brasil. No Chile, organiza com Jorge Amado e Pablo Neruda o 1º Congresso Continental de Cultura. Em 1956 retorna à França e em 1959, depois de um curto período no Haiti, onde entra em choque com o regime de Duvallier, o Papa Doc, fixa residência em Cuba, a convite de Che Guevara. Durante sua estada em Cuba publica seu livro de poemas mais conhecido: Un arc-en-ciel pour l’Occident chrétien. Em 1978 Depestre deixa Cuba, rompido com o governo. Retorna a Paris, trabalhando na Unesco. Publica em 1980 o romance Alléluia pour une femme-jardin, que ganha o Prêmio Goncourt em 1982. Ultimamente tem publicado ensaios onde revê sua trajetória como escritor e militante. Vive na pequena cidade de Aube, na França. (Fonte: Joëlle Vitielllo, www.lehman.cuny.edu/ile.em.ile/paroles/depestre.htm)