A Fundação Perseu Abramo (FPA) desenvolve atividades de reflexão política e ideológica e promove debates, estudos e pesquisas, com abrangência e pluralidade de opiniões. Espaço onde as ideias nascem e florescem com abertura para divergências, busca estimular a formulação de propostas com o intuito de ajudar o partido a construir um país mais justo e desenvolvido.

Há 30 anos a FPA trabalha para contribuir com os debates teóricos, formar e preparar a grande massa de filiados ao PT, além de oferecer formações e informações para qualquer cidadão que queira conhecer o pensamento crítico e de esquerda.

Instituída por decisão do Diretório Nacional no dia 5 de maio de 1996, a missão da instituição é baseada em “pesquisa, elaboração doutrinária e contribuição para a educação política dos filiados e filiadas do Partido dos Trabalhadores e do povo trabalhador brasileiro”.

A gestão atual da FPA começou no início de 2020, poucos meses antes de um dos períodos mais preocupantes já enfrentados pela humanidade, a pandemia do Coronavírus. Enquanto sair às ruas não era recomendado, a Fundação organizou uma série de atividades remotas como debates e programas de entrevistas com o objetivo de manter o campo progressista informado a partir de análises feitas por grandes especialistas sobre os mandos e desmandos do desgoverno de Jair Bolsonaro, que ocupava a presidência da República. A oferta de cursos à distância continuou sendo feita como já acontecia.

Durante aquele mandato, sob a presidência de Aloizio Mercadante, a FPA criou os Núcleos de Acompanhamento de Políticas Públicas (NAPPs) que eram formados por políticos, pesquisadores e especialistas que tinham como tarefa analisar as políticas instituídas pelo governo federal da época e criar propostas e soluções para os problemas que as referidas políticas geravam. A partir do trabalho desses núcleos foi pensado o Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil que reunia um conjunto de propostas para fazer com que o país saísse da crise em que estava com o desmonte de tantas políticas e programas.

Esse documento redigido a várias mãos fez com que a Fundação ficasse com a responsabilidade de criar o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2022, tarefa que foi realizada com excelência. Após as eleições, Mercadante foi nomeado presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e Paulo Okamotto assumiu a presidência da Fundação Perseu Abramo, em abril de 2023.

Com Lula na Presidência, o trabalho da FPA se voltou para a formação e a produção de conhecimento. Cursos de formação sobre como ser dirigente partidário passaram a ser um dos focos centrais da entidade, além da criação de uma longa lista de cartilhas sobre práticas de atualização de discurso. Um exemplo de material bem sucedido é a cartilha “Como fazer trabalho de base”. Em 2024, a Fundação realizou um trabalho inédito e desenvolveu uma série de materiais com o objetivo de oferecer suporte programático para candidaturas municipais, tanto para o Legislativo como para o Executivo. Materiais voltados para a militância também foram desenvolvidos. São trinta anos de desenvolvimento de ideias, formação da militância e difusão de conhecimento e conteúdos fundamentais para a democracia e a construção de uma sociedade justa e igualitária.

Diretoria de Formação FPA
Foto: Sérgio Silva.

A Fundação Perseu Abramo tem se dedicado ao projeto de Formação Política, com cursos para a base partidária, movimentos sociais, dirigentes e gestores públicos de esquerda, sempre com o objetivo de congregar a militância para o debate político e estimular a reflexão sobre as estratégias de organização e preparação para os desafios e enfrentamentos atuais.

Realiza seminários, cursos e atividades abertas ao público em plataformas de ensino a distância, discutindo variados temas para que a formação melhore a ação política de esquerda em todo o país. As videoaulas podem ser acessadas por todos, em qualquer dia e horário, o que democratiza o debate e a reflexão política para milhares de pessoas.

Em 2025 foram realizados vários cursos, com 16.593 inscritos: História e Política III – A extrema direita hoje; Ódio e Guerra pelo Poder; Revisitando a História do Brasil – Debates e Embates; Desenvolvimento, Trabalho e Políticas Públicas, curso de extensão em parceria com a Unicamp; Outra Economia: Economia Solidária – Estratégias de Mobilização e Engajamento; O poder global e a geopolítica do século 21, curso de extensão em parceria com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Foram ainda finalizados os livros Emergência Climática e Trabalho e Desafios e Soluções para o Desenvolvimento Nacional, ambos impressos para lançamento, em parceria com a Editora da Fundação Perseu Abramo (Editora FPA).

Escola Nacional de Formação
Foto: Sérgio Silva/FPA

A Escola Nacional de Formação (ENF) oferece processos formativos para novos filiados e militantes de base do PT; dirigentes e integrantes das instâncias partidárias e setoriais; parlamentares, gestores públicos, militantes que atuam em governos dos quais o PT participa; e petistas que atuam nos movimentos sociais. Para cumprir tal missão, desenvolve atividades presenciais e virtuais, orientadas por suas Diretrizes Curriculares e Metodológicas. Saiba mais em https://www.enfpt.org.br/

A gestão da Escola é compartilhada entre a Secretaria Nacional de Formação do Partido dos Trabalhadores e a Fundação Perseu Abramo, com foco na articulação de secretarias estaduais, setoriais e coletivos, além da organização de uma rede nacional integrada de ações nos níveis municipal, estadual e nacional. Em 2025, foi construído de forma participativa o Plano Nacional de Formação 2026, com reuniões nacionais, escuta das secretarias estaduais, consulta à Rede de Educadores e consulta direta à militância, consolidando as diretrizes do próximo ciclo.

A Jornada Nova Primavera, principal processo nacional de formação do PT, na edição 2024/2025, marcou presença nos 27 estados. Foram realizadas oficinas nacionais, plenárias estaduais, atividades territoriais e eventos virtuais de caráter nacional, ao vivo. Aconteceram atividades formativas em municípios de todas as regiões do país, sempre articuladas às oficinas nacionais com mobilização de militantes, dirigentes e educadores populares nos territórios. Houve ainda atividades voltadas à organização popular e à mobilização territorial, com capacitação de multiplicadores e apoio direto às ações de base nos estados.

A ENF articula há alguns anos a Rede de Educadores(as) e a Rede de Formadores Populares. Durante o ano de 2025 foram realizados encontros presenciais e virtuais para fortalecimento delas, buscando alinhamento metodológico, troca de experiências e apoio às formações estaduais e nacionais. Outro projeto da Escola é o Curso de Dirigentes, com etapas presenciais em vários estados.

Cursos e oficinas virtuais voltadas à qualificação de candidaturas petistas incluíram conteúdos sobre campanha, organização, comunicação e estratégia eleitoral. A ENF também estabeleceu a formação: Modo Petista de Ação Parlamentar Continuada, voltada para vereadores, assessores e militantes. O foco do curso que continua disponível na plataforma virtual de ensino a distância foca em comunicação política, orçamento público e relação com a base social.

Outro projeto formativo que teve uma série de encontros em 2025 foi o Fé e Democracia. Em rodas de conversa ou em atividades online sobre fé, política, democracia, ecologia e justiça social percorrendo vários estados, a ENF tratou de um tema tão importante na atualidade, que é a relação entre religião e política.

Em 2025, houve uma grande preocupação com os conselhos participativos das cidades e, por isso, a Escola Nacional desenvolveu uma formação específica para a atuação de Conselheiros Participativos nos municípios, tanto titulares como suplentes.

Por meio da inovação da plataforma digital de formação (AVA), foi possível ampliar e atualizar o Ambiente Virtual de Aprendizagem, com cursos interativos e conteúdos digitais, além de oferecer suporte online às ações formativas nacionais e estaduais, monitoramento pedagógico e apoio aos estados.

Núcleo de Opinião Pública, Pesquisas e Estudos (NOPPE)

Foto: Sérgio Silva/FPA

Na área de opinião pública, a FPA realizou 7 pesquisas e acompanhamentos em 2025, incluindo a terceira edição de uma pesquisa muito importante para todo o país sobre mulheres e gênero. Além disso, foram realizadas análises de levantamentos feitos por outros institutos para ler o Brasil de perto e orientar a estratégia com evidência.

O Noppe foi fundado em 1997 e possui um histórico robusto de produção de pesquisas. Já investigou temas como a juventude brasileira, o racismo no Brasil, a questão indígena, as mulheres e a violência de gênero, os idosos, diversidade sexual e homofobia e a cultura política dos brasileiros e brasileiras, trazendo em cada momento contribuições consideráveis para o debate público nacional.

Nos últimos cinco anos o trabalho foi organizado a fim de produzir diagnósticos para entender os caminhos percorridos pela opinião pública, especialmente nas temáticas relacionadas ao comportamento eleitoral, ao mundo do trabalho e às mulheres brasileiras.

Editora

Foto: Sérgio Silva/FPA

A Editora da FPA tem seu marco inicial em 1997, com o livro em homenagem a Perseu Abramo (1929-1996). Se destaca com autores e obras importantes na disputa de ideias e assim conquista a atenção de militantes, pesquisadores, estudantes e educadores. Clássicos foram publicados, como Marilena Chaui (Brasil: mito fundador e sociedade autoritária, primeiro volume da coleção História do Povo Brasileiro), Michael Lowy (Marxismo na América Latina), Aloísio Biondi (Brasil privatizado), Jacob Gorender (O escravismo colonial), Denise Paraná (Lula, o filho do Brasil), John French (Lula e a política da astúcia), Paul Singer (Introdução à economia solidária, Uma utopia militante, Desenvolvimento e crise), Mario Pedrosa-Leon Trotsky (Revolução e contrarrevolução na Alemanha). Mais de 300 títulos estão disponíveis para download no site da Fundação.

CSBH
Matilde Ribeiro

O Centro de Documentação e Memória Política Sérgio Buarque de Holanda (CSBH)  tem sob sua guarda registros de uma das experiências mais importantes da classe trabalhadora na história recente do Brasil. O CSBH é responsável pelo tratamento do arquivo histórico do Diretório Nacional do PT, bem como pelo fomento à pesquisa e à reflexão sobre a história do partido, da esquerda e da classe trabalhadora, atuando em diversas frentes de trabalho.

No site é possível conhecer o acervo, marcar visitas, saber mais sobre produções, eventos e exposições virtuais. Ao longo de 2025, foram realizadas três conferências do ciclo de debates “Memória da Luta Antirracista”. As discussões aconteceram na Bahia, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, com sucesso de participação e público.

Homenagem a Flávio Jorge/Foto: Sérgio Silva/FPA

Nas atividades do eixo Memória da Militância, foram organizados acervos e produzidas entrevistas em vídeo que fazem parte de uma série intitulada  História Oral com os ex-presidentes da FPA, tendo em vista as celebrações dos 30 anos da instituição.

O acervo da Secretaria Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores (SMAD-PT) foi recolhido, organizado e tratado. A partir desse trabalho foi organizada a exposição documental “Ecologia sem luta de classes é jardinagem’: o Partido dos Trabalhadores na luta socioambiental”. Outra publicação foi do Guia de Fundos e Coleções Arquivísticos do CSBH, que apresenta o funcionamento do acervo.

O CSBH foi responsável pela edição do livro que dá origem à Coleção Cadernos Antonio Candido, com o primeiro volume dedicado a esse intelectual. Além disso, o acervo físico da revista Teoria e Debate está sendo digitalizado integralmente e estará disponível na internet. O Centro também contribui com a produção de conteúdos formativos para redes sociais da FPA nos quais são celebradas datas históricas, personalidades importantes para a história nacional e internacional da esquerda e momentos marcantes registrados em imagens.

Centro de Altos Estudos

Mesa de abertura do Seminário Nacional – A realidade das pessoas LGBTQIA+ e os desafios do PT. Foto: Sérgio Silva.

O Centro de Altos Estudos (CAE) realiza projetos com o objetivo de discutir e elaborar com profundidade questões importantes para o Brasil. O Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil, por exemplo, foi gestado dentro do CAE, nos chamados Núcleos de Acompanhamento de Políticas Públicas (NAPPs). Esses Núcleos vêm sendo uma parte importante do Centro de Altos Estudos, reúnem pessoas especializadas, pesquisadoras, gestoras e militantes para debater e elaborar propostas para o aprimoramento de políticas públicas no Brasil. Trabalham fomentando debates, produzindo conhecimento e apoiando lideranças petistas do Executivo e do Legislativo.

Em 2025, funcionaram os NAPPs Agrícola e Agrário; Cidades; Ciência, Tecnologia e Inovação; Comunicação; Cultura; Desenvolvimento Social; Direitos dos Animais; Direitos Humanos; Economia Solidária; Educação; Energia; Esporte e Lazer; Estado, Democracia e Instituições; Igualdade Racial; Indústria; Infraestrutura, Transporte e Logística; Juventude; LGBT; Meio Ambiente; Micro e Pequena Empresa; Mulheres; Nordeste; Pessoa Idosa; Política Externa; Saúde; Segurança Pública; Tecnologia da Informação e Comunicação; Trabalho e Turismo.

O CAE tem atuado em três grandes frentes: construção de conhecimento e subsídio para a militância; formulação e discussão sobre políticas públicas e agenda emergente; e subsídio ao debate com a sociedade e à formação de quadros dirigentes.

Entre as atividades realizadas em 2025, estão eventos temáticos estratégicos, como os seminários sobre experiências progressistas bem sucedidas na América Latina e COP 30 e o Desenvolvimento da Amazônia, ambos realizados na celebração dos 45 anos do PT.

Comunicação

A Comunicação da FPA tem a tarefa de cuidar da imagem institucional da instituição e, ao mesmo tempo, difundir toda a produção das diferentes áreas e projetos, além de atender aos pedidos da imprensa brasileira e estrangeira. O público que a comunicação da FPA tem a missão de atingir são os dirigentes, os filiados e também os militantes do Partido dos Trabalhadores. Os meios para conversar com essas pessoas são: o site da instituição que reúne tudo o que é produzido e que vem sendo remodelado desde 2025; o disparo de e-mails para quem se cadastra no site; o canal de atendimento e os grupos criados na plataforma de mensagens WhatsApp e os canais no Instagram, Facebook, Tiktok, X e Youtube. Esses são os meios de comunicação direta. Também trabalha com a comunicação por meio dos órgãos de imprensa. E publica as revistas digitais Teoria e Debate (mensal) e Focus Brasil (semanal).

Nesta gestão, iniciada em 2020, a comunicação também foi responsável por projetos e programas que já se encerraram. O início da TV PT ocorreu durante a pandemia, com a equipe de comunicação da FPA, que produzia e realizava entrevistas ao vivo de forma remota diariamente. Depois, foi criado o programa Observa BR, que teve 66 edições. Na sequência, veio o programa Pauta Brasil, que contou com 183 edições. Todos esses programas eram voltados a discutir temas da conjuntura em profundidade e continuam disponíveis no Youtube da FPA para quem quiser assistir. Hoje, o canal tem pouco mais de 73 mil seguidores.

O Instagram é a plataforma na qual a Fundação Perseu Abramo mais cresceu nos últimos anos. Em 2023, o perfil oficial da FPA somava 11,4 mil seguidores e hoje tem 121 mil. O perfil do Facebook tem 59 mil seguidores. O Tiktok, plataforma mais recente na qual a FPA passou a publicar conteúdos, tem quase 8 mil seguidores. Por fim, no X (antigo Twitter) são mais de 26 mil seguidores. A comunicação trabalha para aumentar todas essas audiências publicando conteúdos formativos e informativos com uma visão crítica e analítica da realidade brasileira e internacional.

Em 2021, foi criada a revista semanal Focus Brasil. O periódico publicado em pdf  transformou-se em referência de informação ao longo dos anos. Hoje, já está na sua edição nº 228 e, atualmente, alcança em média 10 mil usuários por semana. Em 2025, foi criado um programa derivado da revista, o “A Semana em Debate”, disponível no Youtube e no Spotify.

Núcleo de Cooperação Internacional

Foto: Sérgio Silva/FPA

O Núcleo de Cooperação Internacional tem como objetivo estimular e fomentar o debate político sobre as grandes questões mundiais, a política externa dos governos petistas e a política internacional dos partidos de esquerda e progressistas, especialmente na América Latina e Caribe. O NCI realiza conferências, seminários, cursos, debates, publicação de textos, viagens de intercâmbio – sempre que possível em cooperação com fundações, instituições acadêmicas e organizações de estudos e pesquisas nacionais e internacionais.

Ao longo de 2025, o Núcleo realizou uma série de atividades com vistas ao fortalecimento da integração latino-americana e caribenha; participou de atividades em fóruns internacionais das forças de esquerda e progressistas; manteve relações permanentes de intercâmbio com fundações partidárias parceiras, universidades e outras instituições; realizou debates e produziu programas sobre a conjuntura internacional transmitidos por suas redes sociais. No âmbito das atividades permanentes, recebeu a visita de representações diplomáticas, partidárias, universitárias, etc; e editou livros da Coleção Internacional da Editora e do Núcleo de Cooperação Internacional.

Além de diversos eventos, visitas estrangeiras, publicações e livros, a conjuntura internacional foi tratada no programa Janela Internacional, que foi ao ar todas às quartas-feiras no canal Youtube da Fundação.

Reconexão Periferias

O projeto Reconexão Periferias busca dar visibilidade aos atores periféricos, suas pautas e movimentos, a forma como se organizam, seus anseios e sonhos, quais problemas sociais os mobilizam. O conceito de periferia abarcado pelo projeto não se restringe apenas ao aspecto urbano, contempla segmentos populacionais que historicamente foram alijados dos espaços de poder, tais como mulheres, negros, indígenas, ribeirinhos, quilombolas e coletivos culturais periféricos. Em 2025, a Rede Reconexão Periferias chegou a 1.100 coletivos mapeados.

O projeto organizou rodas de conversa sobre empreendedorismo, meio ambiente, segurança alimentar e transição energética, além de duas reuniões do Conselho Reconexão Periferias. Participou da ação institucional da Fundação Perseu Abramo durante a Marcha das Mulheres Negras e colaborou com a pesquisa Questões Organizativas do Partido dos Trabalhadores. Acompanhou ainda o Fórum Popular de Segurança Pública e Política de Drogas do Estado de São Paulo.