Debates sobre mobilização, cultura política e renovação geracional marcaram o encontro, inciativa da Fundação Perseu Abram,o que discutiu como reconectar a juventude à política e enfrentar a extrema-direita 

De olho nas eleições de 2026 e nas estratégias de mobilização para enfrentar a extrema-direita , a Secretaria Nacional de Juventude do PT (JPT) realizou, nos dias 12 e 13 de dezembro, o seu 6º Congresso Nacional, com a presença de delegados e delegadas do partido vindos de todos os cantos do país. 

O palco escolhido para celebrar a renovação da pasta foi a cidade de Luziânia, em Goiás. A programação do evento apresentou os dois últimos painéis do Seminário A Realidade da Juventude Brasileira e os Desafios do PT, organizado pela Fundação Perseu Abramo, que havia iniciado no último dia 9.

Na manhã do dia 12, o tema escolhido para inaugurar o debate foi a construção do 8º Congresso Nacional do PT, que acontece em abril de 2026 e servirá para “abraçar e liderar o debate em torno das pautas que impactam diretamente a vida do povo trabalhador, transformando-as em bandeiras de luta e compromissos de governo”. 

O compromisso, sublinhado no manifesto recém lançado pela legenda, conta com a força da juventude petista para organizar novas frentes de luta, ocupar espaços nas ruas e nas redes e enfrentar com empenho a ameaça permanente da extrema direita.

Formada na juventude do PT e hoje diretora da FPA, Elen Coutinho direcionou seu discurso à nova geração do maior partido de esquerda da América Latina. “Nenhum militante da JPT pode ter como horizonte um cargo político. É preciso ter em mente o que significa militar por esse partido. Que seja uma juventude crítica, propulsora de grandes transformações”.

Em seguida, Jilmar Tatto, escolhido para ser o secretário do 8º Congresso, reiterou o papel da JPT no enfrentamento político e na mobilização para reeleger o presidente Lula.

 “É um momento importante para refletir sobre a força da juventude que fez e faz a revolução neste país. Cada um de vocês será fundamental para que o partido mantenha como prioridade pautas importantes, como criar o palanque para que Lula possa continuar governando. Também vamos defender programas como o Pé de Meia, e seguir na luta pelo fim da escala 6×1”.

Reforço de peso

Além dos exemplos citados por Tatto, outro tema que será levado para o discurso da militância é a histórica aprovação da lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda de Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil por mês e estabelece descontos para rendas de até R$ 7.350 mensais. 

A iniciativa altera regras de tributação e busca ampliar o alcance de benefícios voltados a trabalhadores e setores específicos da sociedade, com impactos diretos na renda, no consumo e na formalização. No total, cerca de 15 milhões de brasileiros vão deixar de pagar imposto.

Por meio de mensagem de vídeo, o ex-ministro José Dirceu elegeu o projeto do governo federal como uma das principais vitrines da atual gestão de Lula. O dirigente, no entanto, espera que novas mobilizações resultem em mudanças ainda mais profundas. 

“Precisamos de uma radical reforma tributária para que a riqueza gerada no Brasil seja partilhada com aqueles que a constroem, que é a classe trabalhadora. Cabe aos jovens liderarem a luta por uma reforma social e política radical no país. Tenho certeza de que, a partir deste encontro, iniciaremos uma nova fase de luta do nosso partido”, avaliou.

Em defesa do partido

O contexto político pelo qual o PT chegará aos seus 46 anos de existência tem sido avaliado como um dos mais desafiadores de sua história. A vitória de Lula em 2022 foi um recado claro da população contra o desmonte de políticas públicas colocado em prática desde o golpe contra Dilma, em 2016.

 Para Valter Pomar, diretor da FPA e subsecretário do 8.º Congresso, a defesa do legado do partido deve vir acompanhada de novos avanços, a começar pela renovação no quadro de filiados e filiadas. 

“A nossa próxima tarefa é elaborar uma lista de assuntos que precisam ser debatidos. Temos a organização da base, a renovação geracional, precisamos debater a participação das mulheres, de negros e negras, do trabalho de base e formação política. Eu não vejo a possibilidade de haver transformações no Brasil sem a participação do PT ou o partido liderando as mudanças”.

Anne Moura, subsecretária do 8º Congresso para contextualização e tática, disse que o próximo encontro do partido “vem em um momento crucial de sua história, diante de tantas lutas que teremos pela frente. E essa luta acontece pela força da nossa juventude”.

Cultura Política

Na parte da tarde, o tema do seminário foi “Cultura Política e Voto: realidade da juventude brasileira”, com a participação de Willian Habermann, diretor de projetos na FES Brasil, e Matheus Tancredo Toledo, coordenador do Núcleo de Opinião Pública, Pesquisas e Estudos da FPA.

A partir de dados levantados em pesquisas realizadas nos últimos cinco anos, Toledo traçou um perfil dos jovens brasileiros em um período marcado pela descrença na política e pela falta de perspectiva.

 “Como converter uma predisposição progressista com o reconhecimento de que há desigualdade no Brasil? Como desvincular os jovens de ideais conservadores e o alinhamento com a extrema direita? Essas são algumas questões que devemos colocar em prática para conseguir cativar a juventude a lutar por mudanças a partir da política. Temos de mostrar que esse caminho é possível. Cabe a nós fazer com que os jovens voltem a sonhar”.

Para encerrar os debates, o secretário Nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, Gilberto Carvalho, falou sobre Memória, Presente e a Construção do Futuro do PT

“Nós somos um movimento periférico. O PT nasce de um momento político muito conturbado, de muitas lutas e mobilizações populares. Agora temos de ter a mesma criatividade que tivemos quando fundamos o partido, mas não repetir fórmulas. Cabe aos jovens pensar nesse novo jeito de fazer política, de construir o futuro”.