Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., na noite de quinta-feira, 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou por cerca de duas horas: “Não estou com pressa; a Janja está viajando”, brincou ele. Bem à vontade, ele falou sobre sua trajetória pessoal, o combate à fome, o papel do Estado na economia e a inserção internacional do Brasil. O vídeo superou 600 mil visualizações em menos de 24 horas no canal, que tem mais de 5,74 milhões de assinantes. 

Conduzida por Rogério Vilela, a conversa partiu da infância em Caetés (PE), da migração para São Paulo e do trabalho como metalúrgico para chegar ao sindicalismo do ABC Paulista, que ele apresentou como origem de sua formação política e da fundação do PT. “A imprensa adorava quando eu mostrava minha ignorância e dizia: ‘não gosto de política, não gosto de quem gosta de política'”, pontuou o presidente sobre seu processo de tomada de consciência e lembrou que, em 1983, foi o PT que promoveu o primeiro ato pelas eleições diretas.

Política externa

Sobre política externa, o presidente ressaltou o fortalecimento dos Brics e a recusa em que o Brasil seja tratado como um país de “segunda classe”. Ele sustentou que o debate é saudável para a democracia, mas que a violência política e a desinformação corroem as instituições, e reiterou sua disposição de governar para todos, independentemente do voto. 

Ao comentar a relação com os Estados Unidos, ele foi enfático: “eles querem que a América Latina volte a ser um quintal dos Estados Unidos”, disse o presidente, fato confirmado por Vilela: “Sim, eles falaram isso”. 

Combate à fome

Na parte dedicada ao governo, o presidente defendeu que o Estado não deve ser mínimo, mas eficiente, atuando em parceria com o setor produtivo para gerar emprego e renda. Voltou a associar crescimento econômico à inclusão dos mais pobres no Orçamento e citou investimentos em infraestrutura, educação técnica e universidades. “Não é possível que um país que produz tanta comida tenha gente passando fome”, afirmou, ao tratar de soberania alimentar.

Juventude e terceira idade

O presidente propôs a criação de um sistema de proteção aos idosos: “Uma coisa que eu quero criar é uma política muito forte de cuidar das pessoas da terceira idade, porque muitas vezes o filho se esquece de que o pai e a mãe tiveram muito trabalho quando ele era pequeno, e, quando eles precisam, não dão o carinho necessário. Então, eu quero criar condições de dar decência para o fim da vida das pessoas que são responsáveis pela nossa vida e pelo nosso país.”

Lula também se disse “obcecado por investimento em educação, ciência e tecnologia”. Afirmou que só com isso o Brasil será “uma grande nação”. Segundo ele, o país tem capacidade de competir com qualquer outro, mas é preciso levar em conta que “não se faz educação e desenvolvimento com discurso, se faz com dinheiro”.

A escolha do formato indica a aposta do Planalto em plataformas digitais de grande audiência e de público majoritariamente jovem e masculino, fora do circuito dos veículos tradicionais — estratégia que ganha cada vez mais espaço na comunicação presidencial para atingir novos públicos. A entrevista completa pode ser conferida aqui.

(com informações da Rede PT de Comunicação)