Dragão de fogo no ventre
Dentro do dragão caverna rubra
Dentro da caverna cordeiro branco
Dentro do cordeiro céu antigo
Alimentamos o dragão com terra
Quisemos domá-lo
E roubar o céu antigo
Ficamos sem terra
Não sabíamos mais onde ir
Montamos na cauda do dragão
O dragão fitou-nos furioso
Revimos assustados nossas faces
Nos olhos do dragão
Saltamos na goela do dragão
Agachamo-nos atrás de seus dentes
E esperamos que o fogo nos salvasse
Vasko Popa – Vozes de uma região convulsionada, os poetas sérvios enfrentam os problemas comuns à humanidade, mas que são particularmente árduos em seu torrão natal. De uma dominação estrangeira para outra, de uma catástrofe étnica para outra, de discórdia em conflagração, tratam de expressar as dores e as vicissitudes que confrontam seu povo.
Um dos mais famosos de seus poetas na modernidade é Vasko Popa. As imagens marcantes de sua obra falam por vezes da fatalidade da guerra, mas também de sua inutilidade sempre renovada, apesar de monstruosa.
É de sua autoria o poema publicado aqui, integrante da antologia estampada na revista Poesia Sempre (2008), da Biblioteca Nacional, em tradução de Aleksandar Jovanovich.
