Primeiro recuo dos EUA beneficia 238 produtos e reduz impacto das sobretaxas; governo busca retirada total após articulação direta do presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por 40 minutos com o presidente Donald Trump na terça-feira (2/12) e reforçou o interesse do Brasil em “avançar rápido” para a retirada completa das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.
Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo foi considerado “muito produtivo” e marcou um primeiro recuo do governo norte-americano, que anunciou a redução parcial das tarifas extras de 40% que afetavam produtos brasileiros.
A medida dos EUA, publicada em ordem executiva por Trump no dia 20/11 com efeito retroativo a 13/11, beneficiou 238 produtos agrícolas — entre eles café, carne bovina, frutas tropicais e sucos. Apenas quatro itens obtiveram isenção completa, mas a decisão reduz de 36% para 22% a fatia das exportações brasileiras ainda sujeitas às sobretaxas.
As tarifas haviam sido instituídas em 30/7/2025, quando Trump alegou que ações do governo brasileiro configurariam “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos. A imposição se somava à taxa global de 10% decretada em abril, elevando o custo de importação para até 50% em vários setores.
Além da agenda comercial, os presidentes discutiram cooperação no enfrentamento ao crime organizado internacional. Lula destacou “a urgência” de aprofundar ações conjuntas e citou operações recentes no Brasil voltadas a enfraquecer financeiramente facções com atuação no exterior.
Impacto econômico e próximos passos da negociação
Segundo dados oficiais, a revisão tarifária representa um alívio parcial, especialmente para o agronegócio exportador. No entanto, 76 produtos ainda permanecem submetidos à sobretaxa adicional de 40%. Para o governo brasileiro, o objetivo agora é ampliar os avanços na direção da retirada total das barreiras.
Fontes do Executivo têm afirmado à imprensa que o país buscará acelerar as conversas técnicas e políticas com Washington, reforçando que a medida é positiva, mas insuficiente diante do impacto acumulado desde 2025.
Oficialmente, o governo avalia que a redução anunciada demonstra a eficácia da estratégia diplomática do Brasil, marcada por pressão firme, defesa dos interesses nacionais e diálogo direto no mais alto nível.
