A mesa “O combate ao fascismo nas Américas” realizada na 1ª Conferência Antifascista, em Porto Alegre, abordou o avanço do imperialismo estadunidense nos países do continente, um processo histórico que possui desdobramentos recentes, como no caso do sequestro de Nicolas Maduro, na Venezuela, o estrangulamento econômico à Cuba, além das intervenções em contextos políticos em diferentes países.
As exposições do tema foram realizadas no sábado (28) na parte da tarde, com a participação de: Mônica Valente (Foro de São Paulo e Fundação Perseu Abramo), Benigno Perez Fernandez (Cônsul-geral de Cuba), Marcelo Rodriguez (Secretário de Relações Internacionais do PC da Argentina), Cyn Huang (DSA/EUA), Pietro Alarcón (Comissão Internacional Pacto Histórico), Senador Oscar Andrade (Secretário Geral do PCU), Alexis Cortés (PC do Chile), Javier Miranda (ex-Ministro DH, ex-Presidente da Frente Ampla Uruguai).
Diretora da Fundação Perseu Abramo, Mônica Valente defendeu os países vizinhos e lembrou que apesar do cenário atual, o continente já teve uma onda progressista com a eleição de governos fortes de esquerda.
Recentemente, a representante do Foro de São Paulo esteve em uma missão no comboio Nuestra América, que enviou ajuda humanitária a Cuba. “A viagem serviu para que pessoas de fora pudessem ver o que está ocorrendo lá e a construção da resistência. Foi muito emocionante, apesar de extremamente doloroso ver as pessoas ficando mais de 15 horas sem luz”, destaca.
“É um país que está na lista do terrorismo internacional, mas que a única coisa que exportou para o mundo foi o trabalho dos médicos e professores, é uma situação absurda. Querem fomentar a insatisfação popular para chegar até a queda da revolução”, comenta Mônica Valente.
Para a dirigente petista, as próximas eleições na Colômbia e no Brasil serão decisivas para o combate ao fascimo no continente e é necessário seguir na disputa social nos territórios e nas redes.
O Cônsul-geral de Cuba, Benigno Perez Fernandez, afirma que estamos observando uma face extremamente fascista dos Estados Unidos na figura de Donald Trump, um homem que ele considera sem nenhuma virtude, com o agravante de ter sido eleito pela população dos EUA.
“Estamos vivendo momentos muito perigosos, deixo o meu respeito e solidariedade aos iranianos. Quando Maduro foi sequestrado, poucos países condenaram a ação, agora, eles estão tentando seguir com um genocídio em Cuba, assim como fizeram em Gaza, e tentam fazer no Irã”, desabafa o Cônsul.
“Alguém pode acreditar que Cuba é uma ameaça à segurança dos Estados Unidos? Onde estão o direito internacional, o multilateralismo, as Nações Unidas?”, completa.
Marcelo Rodriguez, Secretário de Relações Internacionais do PC da Argentina, aponta a crise do capitalismo como um pilar determinante para o avanço do fascismo. Para o argentino, com sua hegemonia ameaçada, o imperialismo ataca, já que dentre as potências do país, a única que segue sem ser questionada é o poder militar.
O militante político lembra que, em dezembro do ano passado, foi divulgado um documento pela Casa Branca de reivindicação da ideologia plantada a partir da Doutrina Monroe.
“O que a humanidade necessita são processos revolucionários que mudem a matriz desse sistema criando uma nova sociedade, onde nunca mais seja possível que as experiências fascistas possam ter força e se manifestar para oprimir nossos povos”, diz Marcelo Rodriguez.
O norte-americano Cyn Huang, representante do DSA, Democratic Socialists of America, contou sobre o desenvolvimento do movimento MAGA, “Make America Great Again”, ao longo do último período e aponta a convergência entre a política neocolonialista do país com a agenda autoritária contra a classe trabalhadora local. “O custo de vida nos Estados Unidos está muito alto, a população está sentindo”, relata.
Como vitórias recentes, Huang citou o levante em Minneapolis, que trouxe esperança e vigor aos movimentos de rua contra as políticas do ICE, o serviço de imigração dos EUA, e a eleição do prefeito de Nova Iorque, Zohan Mamdani.
A mediação do evento foi realizada pela secretária de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores, Misiara Oliveira, com os comentários das debatedoras: Amanda Harumy, ex-secretária executiva OCLAE, e secretária de Relações Internacionais do PCdoB, e Nadja Carvalho, secretária de Relações Internacionais do PSOL.
