A Fundação Perseu Abramo (FPA) completa 30 anos no período mais desafiador para a instituição e também para o Partido dos Trabalhadores (PT). São tempos de ascensão do fascismo no mundo, em que os valores democráticos estão ameaçados pela ultradireita organizada por todo o planeta, e a desinformação ganha contornos imprevisíveis por meio da Inteligência Artificial (IA).
Ao confirmar em três décadas de existência a sua importância para o desenvolvimento de reflexões para a sociedade e para o PT, o maior desafio da Fundação será auxiliar no resgate da memória, na formação dos nossos quadros e também na construção da base política para a reeleição do presidente Lula, que representará uma manifestação ao mundo da vitória da democracia e da contenção das forças fascistas.
Desde sua criação, em 1996, a FPA cumpre, entre suas funções estratégicas, com o resgate da memória e da história do PT. Esse primeiro passo é a base para as demais atribuições: reflexão, estudo, formação política e produção de conhecimento. Essas ferramentas são essenciais para dar densidade ao projeto democrático e popular construído ao longo das últimas décadas.
Do resgate da memória do passado autoritário até a formação do PT a partir das lutas sindicais durante a ditadura militar, no fim da década de 1970, da recuperação do período da tortura, das prisões e mortes, do silenciamento do Judiciário e Legislativo e da suspensão de direitos básicos. Essa recuperação histórica é fundamental para garantir que as gerações que não viveram o regime de exceção, por exemplo, saibam do passado para não repeti-lo no futuro e ainda tenham consciência da quadra histórica e dos desafios impostos a partir deste 2026.
Em um cenário dominado pela lógica das redes sociais e pela superficialidade do debate público, a existência de uma instituição dedicada ao pensamento crítico ajuda a interpretar o Brasil em suas contradições e potencialidades.
E é justamente na construção do futuro que a Fundação precisa seguir ampliando seu papel, o que exige a capacidade de estreitar a formulação de políticas públicas e formação política.
Se a defesa da democracia, o enfrentamento das desigualdades e a construção de um novo ciclo de desenvolvimento passam pela consciência e reflexão política, precisamos voltar aos reais problemas do povo, diante da transformação em curso da classe trabalhadora.
Ganha centralidade o movimento de volta às bases. Entender as novas formas de emprego, ouvir as necessidades desses trabalhadores para organizar, qualificar, e dar dignidade para essa base que sofre com a precarização.
Com a dimensão continental do nosso país, a presença nos territórios significa ainda construir projetos de desenvolvimento para o Brasil que dialoguem com realidades distintas.
É impossível ter um projeto de transição energética que não dialogue com as comunidades e cidades da Amazônia Legal que pode auxiliar a impulsionar o desenvolvimento social e econômico na região. Porém, esse processo só terá impulso se houver participação popular.
Também é preciso construir uma proposta para que as reservas de terras raras brasileiras tragam desenvolvimento tecnológico e industrial. O país não pode perder essa oportunidade e ser apenas um exportador de commodities.
A força histórica do PT sempre esteve ligada à sua capacidade de organização territorial, ao diálogo com a população e à construção coletiva. A nucleação, a retomada e o fortalecimento dos núcleos de base, enquanto instância partidária, é parte essencial desse processo de reconexão.
Nesse ponto, a FPA será fundamental, por meio de sua capacidade de formulação, para atingirmos quem está se afastando do partido: jovens, trabalhadores de aplicativo e microempreendedores. Todos eles, beneficiados por políticas públicas dos governos do PT, mas que às vezes não conseguem conectar os avanços partidários com os proporcionados pelos nossos governos.
O retorno aos territórios de forma presencial é o que vai diferenciar nosso partido das iniciativas políticas do neoliberalismo que tem o objetivo de isolar e dispersar a organização de classe.
Nos territórios podemos ter uma construção mais sólida, junto aos coletivos, e conseguir aliar as reflexões feitas pela academia, pela FPA, com o diálogo com a base popular, com a defesa do nosso projeto e a reeleição do presidente Lula. Assim, estaremos impondo uma derrota ao fascismo e reafirmando nosso projeto de Brasil.
É nos territórios, nas periferias, nos locais de trabalho e de vida que se constrói confiança política. É ali que se escuta, se aprende e se organiza. E é exatamente nesse ponto que a FPA pode cumprir um papel ainda mais decisivo: apoiar a formação de base, produzir conteúdos acessíveis, estimular o debate político e contribuir para que a militância esteja preparada para construir mudanças no país.
Não se trata de ignorar os avanços tecnológicos e as possibilidades de conexões on-line. Entretanto, para desenvolver consciência crítica, a capacidade de diálogo e o compromisso com a transformação social é preciso estabelecer uma relação de confiança e de presença “olho no olho”, de vivência nos territórios.
Juntos, PT e FPA, têm condições de preparar mais uma nova geração de militantes e dirigentes capazes de compreender um mundo mais complexo, mais digital e mais fragmentado, sem perder de vista os valores históricos que orientam o projeto do partido.
Aos 30 anos, a jovem Fundação Perseu Abramo reafirma sua importância como ponte entre o passado e a construção do futuro que nós queremos para o Brasil: um país mais justo, menos desigual e mais digno para as famílias.
Celebrar esses 30 anos é renovar um compromisso: o de seguir construindo, com consciência e enraizamento social, um projeto capaz de transformar o Brasil.
Edinho Silva, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores
