É uma necessidade conversar com os poetas.
E se os poetas morrerem, procurarei os mortos,
as flores do mal que estão na minha estante.
E existe também a poesia no ar, a vaga música,
imune aos gases mortíferos, invulnerável aos
bombardeios. Coloco-me irredutivelmente na
estrada de Cecília Meireles:
No estrondo das guerras, que valem meus pulsos?
No mundo da desordem, meu corpo que adianta?
A quem fazem falta, nos campos convulsos
meus olhos que pensam, meu lábio que canta?
Pagu (Patrícia Galvão), lendária militante, escritora, jornalista e libertária, abalou o cenáculo modernista com sua formosura juvenil, seu charme e comportamento inconvencional. Participaria intensamente da fase antropofágica do Modernismo.
Após sua união com Oswald de Andrade, que não duraria muito, filiou-se ao Partido Comunista em 1930 e tornou-se ativista da revolução. Trabalhou como operária e participou de greves, passando por uma série de prisões, apesar da clandestinidade. Em 1933 publicou Parque Industrial – Romance Proletário, sob o pseudônimo de Mara Lobo. Mais tarde seria coautora, com Geraldo Ferraz, do romance A Famosa Revista. Sua obra jornalística, que é imensa e está dispersa em inúmeros periódicos, começa a ser coligida pelo especialista norte-americano K. David Jackson.
Mais uma vez presa na repressão que se seguiu ao levante comunista de 1935, ao ser libertada, cinco anos depois, estava exaurida e pesava 44 quilos. Transfere-se para o Partido Socialista, pelo qual seria candidata a deputada estadual em 1950.
O poema da 4ª capa alude à Segunda Guerra Mundial, que então se travava no fronte da Europa com a maior violência. Pagu, que acabara de sair da prisão depois de anos de militância, sempre atenta ao que se passa no mundo, expressa sua dor e revolta ante o morticínio. – Walnice Nogueira Galvão
