A campanha nacional acabou, mas a proteção contra a gripe ainda precisa chegar a mais gente. Com a aproximação do inverno, crianças, gestantes, idosos e demais grupos prioritários seguem podendo tomar a vacina contra a influenza nos postos de saúde. A dose é anual porque os vírus da gripe mudam com frequência e a proteção de um ano não garante cobertura adequada para o seguinte.
Diferente de vacinas como BCG, poliomielite, rotavírus e hepatites A e B, que integram esquemas vacinais com proteção mais prolongada, a vacina contra a gripe precisa ser atualizada todos os anos. Os vírus da influenza são inquietos, passam por pequenas modificações constantes e exigem uma nova dose para manter a proteção da população.
A maior circulação da gripe costuma ocorrer durante o inverno. Por isso, as campanhas são realizadas antes e durante esse período, com o objetivo de reduzir complicações, internações e mortes causadas pela doença. A vacinação é especialmente importante para crianças, gestantes e idosos, grupos mais sujeitos a agravamento em caso de infecção.
Desde o início da campanha, em 28 de março, o Ministério da Saúde distribuiu mais de 53,9 milhões de doses para todo o país. Até o momento, 34,2 milhões de vacinas foram aplicadas, sendo 19,8 milhões no público prioritário. Embora a campanha tenha terminado em 30 de maio, a vacina continua disponível nas unidades de saúde.
País tenta recompor a proteção vacinal
A vacinação contra a gripe faz parte de um movimento mais amplo de recuperação da cobertura vacinal no Brasil. O Ministério da Saúde informou que reverteu a queda histórica registrada nos anos anteriores, agravada pelos impactos da pandemia de Covid-19 e pela circulação de desinformação sobre vacinas.
Em 2025, todas as vacinas do calendário infantil apresentaram aumento de cobertura em relação a 2022. A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, chegou a 92,96% de cobertura, ante 80,7% em 2022. O resultado contribuiu para manter o Brasil livre do sarampo, mesmo diante do avanço de casos em outros países das Américas.
A vacinação contra o HPV também avançou. Entre meninas de 9 a 14 anos, a cobertura chegou a 86,11%; entre meninos, alcançou 74,46%. No público feminino, o índice é cinco vezes superior à média mundial. Onze estados já atingiram a meta de 90% para meninas e três estados alcançaram a meta para meninos, resultado importante para a prevenção do câncer de colo do útero.
No caso da meningite, a cobertura da vacina meningocócica ACWY passou de 45,8% em 2022 para 67,75% em 2025. O número de crianças protegidas é quatro vezes maior em 2025 na comparação com 2020.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem associado a recuperação da cobertura vacinal ao trabalho de mobilização do SUS, das escolas e das equipes de saúde da família. Ao comentar a vacinação nas escolas públicas, ele afirmou que o país alcançou a maior cobertura vacinal infantil dos últimos nove anos, mas alertou que escolas e equipes de saúde não podem baixar a guarda.
A retomada da vacinação depende da continuidade desse esforço. No caso da gripe, a proteção precisa ser renovada todos os anos, especialmente entre crianças, gestantes, idosos e pessoas com maior risco de complicações.
