O debate realizado na Band na noite de domingo (18) obrigou as agências de checagem a trabalhar dobrado nas horas seguintes, sobretudo diante da insistência do candidato Flávio Bolsonaro em fazer acusações já desmentidas pela própria imprensa.

Diante do uso do espaço na televisão para gerar cortes nas redes sociais e propagar ainda mais desinformação, o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva fez uma proposta categórica: que ambos autorizem a abertura de seus sigilos bancário e telefônico antes de a população ir às urnas no segundo turno das eleições.

O desafio foi feito ao vivo e não teve a confirmação do oponente, que balançava a cabeça em sinal de negação:

“Eu vou fazer uma proposta para você para amanhã abrirmos a nossa conta bancária e o nosso sigilo bancário para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Eu abro a da minha família e você abre da sua. Nós entregamos para o presidente da Suprema Corte e do Tribunal Superior Eleitoral o seu documento e o meu para avaliarem antes das eleições, para que o povo saiba quem é corrupto e ladrão, porque, senão, eles vão ser enganados de novo”.

Depois do debate, Lula explicou com mais detalhes por que decidiu propor a abertura dos sigilos.

“Eu tomei a atitude de desafiar ele a abrir o sigilo do telefone, o sigilo bancário, para saber quem é corrupto nesse país. Todo mundo acusa todo mundo e não apura nada. Então, vamos apurar. Eu me disponho e vou ficar fazendo o desafio para ele até o próximo debate, para que a gente faça a abertura do nosso sigilo bancário e telefônico, para se apurar quem é que faz corrupção nesse país, quem é que enriqueceu ilicitamente nesse país. Porque não é possível ficar nessa acusação barata de um com o outro”.

Autorização ao TSE

Nesta segunda-feira (19), durante um ato de campanha em Porto Alegre, Lula anunciou que entregará na terça-feira (20) ao TSE uma autorização para acesso a seus dados bancários e telefônicos e aos de seus cinco filhos. O presidente voltou a cobrar que Flávio Bolsonaro faça o mesmo.

“Eu vou entregar na expectativa que ele entregue a dele”, afirmou. Lula disse que quer que a Justiça investigue as informações e divulgue os resultados para que a população possa avaliar as acusações. Flávio não havia confirmado se aceitaria o desafio nos termos propostos pelo presidente.

Acusações

Enquanto Flávio Bolsonaro insistiu na estratégia de acusar pessoas ligadas a Lula, investigadas sem a interferência do presidente e com autonomia da Polícia Federal, Lula recorreu ao que tem sido noticiado e apurado, como os vínculos do senador com Daniel Vorcaro.

Durante o debate, Lula questionou várias vezes o senador sobre o destino do dinheiro que ele pediu ao banqueiro, mas o filho de Jair Bolsonaro não esclareceu o destino dos recursos. Lula também afirmou que o escândalo do INSS, que começou no governo anterior, só foi desbaratado porque, na atual gestão, as investigações puderam avançar.